Viagem ao centro do corpo
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de abril de 2001
Marcos Losnak De Londrina Especial para a Folha2 
Um menino pode viajar por lugares imagináveis e inimagináveis. Pode descer o rio Tibagi de canoa ou subir as montanhas de Bilbo montado num dragão. Pode também realizar viagens pouco usuais, como uma caminhada pelo interior do corpo humano usando chinelos. Essa foi, acredite se quiser, a viagem feita por um garoto chamado André. Ele gostaria de ter realizado a façanha usando tênis, mas tudo aconteceu tudo de maneira inesperada, de repente.
A aventura de André é retratada em Planeta Corpo, romance infanto-juvenil escrito pela autora paulista Sílvia Zatz. Lançado pela Companhia das Letrinhas com ilustrações de Beth Kok, o livro narra a experiência de André em percorrer um planeta desconhecido para ele, um impressionante planeta habitado por seres sempre muito atarefados que não conhecem a palavra descanso.
A aventura de André começa numa tarde entediante. Sem ter o que fazer, resolve desenhar. Sem saber o que desenhar, deixa a mão seguir livre e no papel surge um enorme boca aberta. A imagem inesperadamente o engole. Então ele se vê numa rede de corredores escuros e gosmentos repletos de seres que vivem correndo de um lado para outro.
Nessa correria, André conhece uma menina chamada Hema Medula. Na realidade Hema é uma célula, mais precisamente um glóbulo vermelho, uma hemácia. Sua tarefa incessante é distribuir oxigênio para outras células do corpo e recolher dióxido de carbono. Sua trajetória básica é correr do pulmões para as células e das células para os pulmões. Pode parecer um pouco complicado, mas quem não fugiu das aulas de Ciência já ouviu falar do assunto.
Acompanhando Hema em sua trajetória, André vai aprendendo alguns princípios básicos do funcionamento do corpo humano: No Planeta Corpo cada indivíduo tem sua função e vive para realizá-la da melhor maneira possível. Assim o garoto conhece alguns dos habitantes da região. Entre eles estão Epitácio Baço, Chica Bexiga, Lino Linfócito, Bruno Brônquio, Felipe Fígado e Benjamin Rim. André chega até mesmo a participar, como soldado, de uma guerra dos glóbulos brancos (o clã dos linfócitos) contra uma gangue de bactérias que invadem o local.
Apesar das novidades e surpresas, André precisa voltar para casa, seu verdadeiro lugar. Para isso precisará recorrer a um cientista maluco que ocupa um laboratório num local chamado Baço. De volta à Terra, André compreende que as coisas são maiores do que ele pensava, até mesmo as pequenas coisas: Do mesmo modo como as células viviam dentro de um mundo chamado Corpo, o Corpo e todos os corpos viviam dentro de um mundo chamado planeta Terra. E o planeta Terra, junto com todos os planetas, também viviam no meu mundo, chamado Sistema Solar. E o Sistema Solar, e todos os outros sóis, viviam no mundo das estrelas, numa galáxia pequenina chamada Via Láctea.
Em Planeta Corpo Sílvia Zatz procura mesclar ciência e literatura sem grandes pretensões. No amplo leque de funções dos órgão e células do corpo humano, a escritora escolhe um pequeno grupo como personagens e cenário. Além da exatidão da ciência, André também respira a liberdade da fantasia.
Planeta Corpo - De Sílvia Zatz, ilustrações de Beth Kok, Editora Companhia das Letrinhas (telefone: (11) 3846-0801 / internet: www.companhiadasletras.com.br), 80 páginas, R$ 16,50.


