Viagem ao centro da festa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Katia Michelle Pires<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No lugar dos trios elétricos, modestos microfones. Em vez de axés e outros ritmos fervorosos, marchinhas dançantes e singelas. Pode parecer pouco divertido, mas é assim que acontecia o Carnaval brasileiro nos já distantes anos 20. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre esse universo, pode fazer uma visita ao Museu da Imagem e do Som, em Curitiba. O material de pesquisa disponível no museu apresenta livros e imagens que contam a história da mais popular festa nacional. É possível, por exemplo, encontrar livros que narram a trajetória marcante da compositora Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marchinha oficial do Carnaval, além de discos em vinil e textos sobre artistas que viraram ícones da festa, como Carmen Miranda e Lamartine Babo.
As marchinhas começaram a fazer sucesso no início do século 20 e tinham uma fórmula simples: compassos binários, como a marcha militar, melodias simples e com forte apelo popular. Os temas tratados eram geralmente cotidianos, quando não tinham forte conotação política. O duplo-sentido era muito explorado, na tentativa de dar leveza a temas difíceis de serem tratados.
Esse tipo de música que por muito tempo foi o hino do Carnaval brasileiro teve seu auge nos anos 30, 40 e 50. A primeira música feita exclusivamente para o Carnaval foi a marcha Ó abre alas, da maestrina Chiquinha Gonzaga, composta em 1899 e que animou os bailes cariocas por três anos consecutivos. Estas e outras histórias pitorescas estão na coleção História da Música Popular Brasileira, que consta no acervo do MIS. Lançada pela Editora Abril, a coleção traz texto de José Ramos Tinhorão e homenageia também artistas como Haroldo Lôbo, João de Barro, Alberto Ribeiro e Lamartine Babo.
Carmen Miranda também tem seu espaço no acervo do MIS. O destaque é o livro Carmen Miranda (1985), de Cássio Emmanuel Barsante, que ilustra toda a carreira da cantora. Do Brasil para a Broadway, Nova York, e o mundo, a vida de Carmen pode ser visualizada em 246 páginas, diagramadas com muitas imagens e cartazes, além da completa discografia e filmografia da artista. É uma pequena viagem no tempo.


