Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para a Folha2
Além do lançamento de ‘‘Bossa Nova’’, novo trabalho de Bruno Barreto, outro filme brasileiro chega hoje às salas paranaenses. É ‘‘Hans Staden’’, de Luis Alberto Pereira (veja a programação de cinema na página 5), uma realização não exatamente feita a propósito dos 500 Anos do Descobrimento, mas com tudo a ver.
Com recursos do Instituto Português de Artes Cinematográficas e Visuais, que entrou na produção com US$ 150 mil, do fundo espanhol Ibermedia - mais US$ 100 mil - e com a participação brasileira da TV Cultura, o filme levou cerca de três anos para ser concluído. Luis Alberto Pereira, que tem no currículo o ótimo documentário ‘‘Jânio a 24 Quadros por Segundo’’ e ‘‘Os Sete Sacramentos de Canudos’’, começou a pensar no filme em 1995. É a história da viagem que o erudito alemão Hans Staden fez ao Brasil no século 16. Quando voltou para a Europa, escreveu um livro com suas aventuras e impressões daqueles primeiros tempos de relacionamento entre portugueses e índios. Inicialmente a produção teria como subtítulo ‘‘Lá Vem Nossa Comida Pulando’’, mas para evitar que o filme fosse visto como uma comédia, o título foi modificado e passou a ser apenas ‘‘Hans Staden’’. Para Luis Alberto Pereira, o tom do longa-metragem é sempre o da ironia. ‘‘É um filme de suspense e ironia, e não uma comédia. Ironia porque a relação entre índios e portugueses é surreal. ‘‘Quis que meu filme fosse definitivo, histórico, antropológico e etnográfico.’’
As filmagens foram em Ubatuba, litoral norte de São Paulo e também em Portugal. Não há grandes nomes no elenco, e o destaque fica para Carlos Evelyn no papel de Staden. O ator português Mario Jacques, no papel de capitão, acabou substituindo Paulo Autran, impossibilitado por outros compromissos. ‘‘Hans Staden’’ é inteiramente falado no idioma tupinambá, com legendas em português. As falas foram supervisionadas por Helder Ferreira, especialista da USP na área de línguas indígenas.

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