Viadagem é história antiga na Cultura
Viadagem é história
antiga na Cultura
Muitos artistas
introduziram a opção
sexual nas obras
Luiz Claudio Oliveira
Como alguém já disse e vive-se repetindo, piada sempre é válida, inclusive as de gays, negros, judeus, árabes, português e outras do tipo preconceituoso. O que não se pode é acreditar na piada. É neste contexto que entra a história do coisa de viado, do apresentador, jornalista, poeta e ex-bailarino Pedro Bial.
Como pessoa ligada à Cultura, Bial, deveria ter sido mais sensível, não poderia ter dito isso, repetem alguns, deixando transparecer que a Cultura seria coisa de viado, quase sinônimo de pessoa sensível. Como em todas as outras opções, sejam elas sexual, de credo, ou de time de futebol, existem os que têm talento e os que não têm, ou têm menos.
Plagiando um dos monstros da Cultura ocidental - que alguns dizem que jogava água pra fora da bacia - aí estão duas questões: ser ou não ser? e ter ou não ter talento?
No caso da Cultura, grande parte da obra da humanidade, tanto do lado ocidental, quanto do oriental, é coisa de viado. Na Grécia e na Roma antiga, todo mundo sabe que a viadagem era aceita com mais naturalidade do que hoje. Ninguém foi obrigado a tomar cicuta por causa disso, foi?
Na Bíblia - e quando se mexe com religião a coisa fica ainda mais delicada, com preconceitos e intrasigência vindo de todos os lados -, sabe-se que há a condenação das formas abusivas do sexo. Alguns entendem que aí estaria incluída a condenação ao homossexualismo. Outros entendem que esse conselho - evitar as formas abusivas de sexo - valeria tanto nas relações heterossexuais quanto homossexuais. Para estes, a Bíblia não assumiria nenhuma posição contrária ao ato homossexual, desde que respeitados os mandamentos morais cristãos.
O parágrafo acima é para quem acredita na Bíblia como mandamento sagrado, sejam ou não viados. Os ateus não teriam essa preocupação, sejam ou não artistas.
A viadagem não é, necessariamente, determinante na obra de um artista homossexual. Muitos introduziram a opção sexual nas obras. Caso do dramaturgo Jean Genet, por exemplo, que mexeu artisticamente com a sexualidade. Outros, anteriores a Genet, sofreram muito, mas conseguiram abrir caminho para que os próximos assumissem publicamente - caso desejassem - a opção sexual.
Oscar Wilde, em De Profundis, um livro maravilhoso que escreveu na cadeia, preso por ser homossexual, mais do que uma simples defesa da opção sexual, faz a defesa da liberdade de opção, qualquer que seja ela.
Quem pode dizer até que ponto a opção sexual influiu e ainda vai influir nas artes do mundo? Ou esta discussão seria também coisa de viado? Com a palavra o competente, bem humorado e língua solta Pedro Bial.





