Gana

O setor elétrico como um todo, o setor de telecomunicações com todas as suas bandas, a Vale do Rio Doce, etc. Agora é que o programa de privatizações vai começar. Mas já tem gente dizendo que chega. Uma lástima. Pior ainda são os políticos que tentam estadualizar o dinheiro que o governo federal vai conseguir com as vendas. Argumentam que, como aquelas companhias funcionavam em seus Estados, o dinheiro tem de permanecer por lá.

Dívida

Com uma dívida menor, o Brasil vai poder investir na infra-estrutura da nação como um todo. Principalmente nas prioridades. Na hora de se decidir quais são as áreas que mais precisam destes investimentos, aí sim, vale os representantes dos Estados puxarem a brasa para as suas respectivas sardinhas. O eleitor votou neles para que lutem por isso. Daí cabe ao Executivo pesar e decidir, ou ao Congresso exigir que o dinheiro seja utilizado para qualquer fim necessário, em votação democrática.

Os bigodes do ofício

Há muitos argumentos que justificam, infelizmente, as MPs. Vide o próprio Plano Real. Se não fosse implantado por Medida Provisória, ainda não teria passado nem pelos bigodes do Sarney. E o governo ainda estaria sendo pressionado a dar em troca o controle do País, para vê-lo aprovado.

Filosofia

Como dizia o meu amigo filósofo Zé Rodrix: ‘‘This is Brazil.’’

De bem com a vida

Você não pode abrir um computador no avião sem que ameace derrubá-lo. Abra, então, um livro. Os livros derrubam governos, mas voam de bem com os aviões.

Nada de nada

Nós não temos nada; só o dia para sobreviver. (Sisaleiro nordestino, 14 anos de idade.)

A gafe

O livro ‘‘Gafe não é Pecado’’, de autoria de Cláudia Matarazzo, ensina como escapar de fiascos. Mas duvido que haja nele alguma saída para esta gafe do meu amigo Zé Mineiro.

Adão

Estávamos no Rio de Janeiro, hospedados num hotel da Barra da Tijuca. Muito sol, sal e mar. E flores do mal, segundo os mais beatos. Flores do mal de biquínis azuis com bolinhas, laranja e mel. Muito mel. No meio deste paraíso, Zé Mineiro fazia questão de ser o Adão mais elegante.

...E Evas

E foi com o propósito de apurar a elegância que pediu um tempo para se retirar da sala onde esperávamos duas amigas de outras amigas que, segundo estas diziam, eram Evas para homem nenhum botar defeito (embora mulher bonita seja sempre sinal de enguiço).

As diabinhas

Chegaram. Eram realmente angelicais, as diabinhas. Sentaram-se, perninhas sob as saias curtas, juntinhas e um pouco viradas para o lado, naquele falso-encabulado cheio de sagacidade, como só a mulher sensual sabe encenar. Tava bom. ‘‘Zé Mineiro!’’ gritei. ‘‘As meninas já chegaram!’’

David Niven

‘‘Tô indo!’’ gritou o Zé Mineiro que, vaidoso como ele só, tratava de se vestir com o máximo apuro. Quando finalmente entrou na sala (devia dizer ‘‘adentrou’’, como os mestres de cerimônia do interior) foi como a entrada em cena de um David Niven, ao vivo. Metido num jaleco imaculadamente branco, exalava a verão. Deu uma voltinha já a pedidos das meninas. Presunçoso como ninguém, embora tímido, desfilou por entre as cadeiras, e por fim escolheu sentar-se no sofá sob a grande samambaia, cujas folhas, compridíssimas, caíam em cascata.

Capacete

Mas sentou-se por azar em cima das pontas das longas folhas, que sobravam sobre o assento. Ao sentar-se afundou as folhas na almofada, repuxando-as junto com o seu peso. O grande xaxim, lá em cima, inclinou-se, pendeu, e caiu de cabeça para baixo. E encaixou- se perfeitamente na cabeça do Zé Mineiro feito um capacete de motoqueiro. Tchufo!!

O choque

Ficou imóvel. A planta acabara de ser irrigada, de modo que a terra molhada era pura lama, que logo começou a descer-lhe pelo rosto, pelo jaleco alvo, pelas calças e pelos sapatos, enchendo-lhe os óculos e emporcalhando-lhe a pose, enquanto ele permanecia imóvel, em estado de choque. As meninas, prendendo o riso, correram a providenciar urgentes apetrechos para a limpeza.

Barranco Amazônico

As meninas evitavam achar graça ostensiva. Riam apenas na cozinha, umas com as outras, ao buscar mais apetrechos para o socorro. Zé Mineiro subitamente transformado num barranco amazônico, só faltava chorar. Até hoje lembro daquele olhar suplicante e interrogativo, como a desejar que alguém respondesse que nada daquilo estava acontecendo. Ou, pelo menos, que estava, mas que era uma gafe das mais comuns. ‘‘Quem não passou por isso um dia, não é mesmo?’’ talvez desejasse que alguém dissesse, em lenitivo.

Duvido

Duvido que no livro da Cláudia Matarazzo haja alguma dica de como sair-se discretamente de uma situação assim. Duvido ainda que tenha lá alguma dica que ensine também como evitar que algum amigo ingrato e escriba, não venha a relatar o tremendo desastre, um dia, em seus escritos.

Saudades do Brasil

Na Internet, quem quiser saber como vive a comunidade brasileira nos Estados Unidos basta navegar na ‘‘http://www.brasilnomundo.com’’. Lá, além das notícias da comunidade, vai poder ver como ela faz para matar as saudades do Brasil. Um dos recursos é clicar no ícone da Rádio Itatiaia: basta fazer isso para que a rádio mineira comece a ser ouvida. Vai encontrar também alguns artigos da minha humilde lavra, recheados de notícias nossas. Tudo para ajudar a matar as saudades da rapaziada. Há também dicas de documentação, aluguel de carros e muitas informações interessantes para quem pretende viajar ou mesmo emigrar.

Gutemberg Guarabyra/Agência Estado

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