O papel do livro

- O fato de não se poder ligar aparelhos eletrônicos, tais como telefones celulares e computadores, nas viagens de avião abre uma bela brecha para os livros e para as agendas. Porque os executivos sempre vão querer aproveitar para trabalhar dentro do avião, ou para se distrair. Daí que a escrita em papel, sendo o melhor sistema digital de dados que existe, na categoria ‘‘no-plug’’, é a melhor opção. Tanto para o trabalho quanto para o lazer dos executivos espremidos nos assentos dos tempos atuais das pontes aéreas.

Tradição oral

- O Teatro sim, cresce de boca em boca. Só a boca do palco do Teatro de Milão tem 16 metros de largura por dez de altura.

Byte versus byte

- Quanto maior a cidade, mais difícil é encontrar uma pessoa. Os computadores aumentaram tanto a capacidade de armazenamento de dados, que foi ficando difícil encontrar aqueles dados, que você queria urgentemente, no meio daquela quantidade enorme de informações. As quadrilhas começam a se aproveitar disso. Informação em excesso ajuda a esconder criminosos. Ou seja, um recurso poderoso como a informática usado para localizar procurados com mais eficiência, acaba sendo anulado por um efeito colateral inesperado. Acelerado, vão começar a pipocar novos softwares dedicados à análise de dados. Aliás, os fabricantes tinham que aproveitar para fazer gol agora, antes que aquele garoto folgado, metido a dono da bola, Bill Gates, entre no jogo.

O falso baiano...

- Itamar Franco não foi ao ato político contra a privatização da Cia. Vale do Rio Doce, embora tenha mantido encontro com os articuladores. Deve estar sendo um dilema para ele, ir contra algum projeto do Fernando Henrique Cardoso. FHC prometeu há pouco apoiá-lo para presidente, caso não possa se candidatar. Itamar, mesmo sendo mineiro, prova que conhece com certeza o ditado baiano: ‘‘farinha pouca, meu pirão primeiro’’. Aliás, Itamar Franco não é mineiro.

Aliás, o falso mineiro...

- É baiano. Itamar Franco nasceu no dia 28 de junho de 1929 na periferia de Salvador, num subdistrito chamado Salinas. Isso segundo o historiador de Juiz de Fora, Douglas Fazollato. Pelo menos é lá que existe a única certidão de nascimento (autorizada ou não) do ex- presidente. Nasceu na Ladeira Fonte das Pedras. O endereço pelo menos tem jeito de poesia mineira.

Quando entra na roda...

- O lugar onde nasceu o presidente foi derrubado. Meteram a patrola no terreno, como se diz por lá, e nivelaram tudo. Daí construíram o Estádio da Fonte Nova. Pode? Os craques pisam no chão histórico toda vez que jogam em Salvador. Se fizessem um levantamento para localizar o metro quadrado exato onde Itamar nasceu, aposto quanto quiser que daria exatamente no círculo central, na marca da bola. A grama ali poderia ser em forma de topete. Seria uma bela homenagem.

Pagando (só) pra ver

- Cena comum no refeitório da USP: quando o aluno não tem fome, se dirige até a lata de lixo e joga a comida do bandejão fora. Faz isso porque custa muito barato. Aliás, é de graça, o R$ 1,60 paga apenas a mão de obra. Por isso acha que vale a pena pagar só para ver. E são universitários. Mais uma para a lista do meu amigo e filósofo Zé Rodrix, que vai sair no livro: ‘‘This is Brazil’’, das edições Manual Rodrigues.

Vade retro

- A Funai está defendendo a presença de missões religiosas cuidando dos índios. Para a Funai, índio bom é índio convertido. E índio convertido é índio morto. Logo se vê que é um departamento que veio do antigo Serviço de Proteção ao Índio. Aquele que comprava aviões com o dinheiro do governo para jogar roupa contaminada com o vírus da varíola em rasantes no meio das florestas. Quanto sofrimento explodiu nas noites da selva depois daquilo. Tribos inteiras morrendo à míngua, de uma doença desconhecida e extremamente dolorosa, sem nenhuma assistência. Se alguém quiser o bem dos índios, tem de, antes de tudo, mantê-los afastados dos brancos

Tirando a tanga

- O deputado Fernando Gabeira quer sítios turísticos para a prática do nudismo no Brasil. Diz que no mundo existem cerca de 70 milhões de destangados ricos, loucos para tostar as partes íntimas sob o sol valente do trópico. Outro deputado, o sr. Ursino Queiroz, do PFL da Bahia, quer que a autorização só sirva para mulheres. É contra a democracia do mau gosto.

Jânio

- Descobriram água na lua. Pena que não foi no tempo do Jânio Quadros. Uma notícia dessas enquanto ele estava no governo ia dar um grande impulso à pesquisa aeroespacial no Brasil. Pois ele já teria certeza de que não iria faltar água para o uísque, caso precisasse um dia ir até lá.

Língua do p

- O projeto de reeleição deveria se chamar de ‘‘recandidatura’’ para estar tecnicamente melhor definido. Afinal, o presidente em exercício teria o direito de se candidatar novamente e não de se reeleger. Só quem tem o direito de se reeleger são, naturalmente, os ditadores; se é que a isso se pode chamar de ‘‘direito’’. O deputado José Genoíno e todo o PT são contra a aprovação do projeto. O PPB do M (do Maluf), que é a antítese do PT, também é contra. Coincidência ou não, os dois não têm candidato que possa fazer frente à recandidatura de FHC. Pelo menos por enquanto.

Dilema

- Genoíno diz que se o projeto não passar, a derrota do governo pode levá-lo a uma crise. Não entendi porque então está avisando ao adversário que ele pode se dar mal se continuar por aquele caminho. Ora, se o governo entrasse em desprestígio, o PT poderia até pensar num candidato. E aí, com certeza, até votaria a ‘‘reeleição’’ sem problema. Mas vai ver que faz isso porque está acima de interesses pessoais e só pensa no bem do Brasil. Genoíno diz também que se acontecer o contrário, isso é, se o projeto for aprovado, o governo vai ter de pagar caro àqueles que votaram a favor (para ele, pelo visto, não há voto sem barganha) e que isso seria péssimo para o Brasil. Aí está posto um dilema.

O que é bom para o Brasil,
é bom para o Brasil

- Dou uma opinião: se o deputado de fato pensa no Brasil, talvez o melhor mesmo fosse convencer o PT a votar a favor. Por quê? Simples: o governo não entraria em crise e não precisaria temer bandido chantagista nenhum. Melhor para o Brasil em todos os pontos, não? E mais justo. Afinal, o povo nas pesquisas é a favor do continuísmo generalizado. E o Congresso deveria refletir isso, se é que representa de fato a vontade popular.

Arranja outra

- Mas há mais uma opção além dessas: é votar contra mesmo, ciente das suas convicções, e ver o que acontece. Seria melhor ainda para o Brasil. Ainda melhor seria apresentar também um bom candidato, mesmo que a recandidatura fosse aprovada pelo Congresso. Dou até um palpite: que lance a Márcia Peltier. Afinal, candidato inteligente, poliglota e charmoso está na moda. E vai ser difícil arranjar um melhor do que ela.

Gutemberg Guarabyra /AE

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