Veterana precoce
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 1997
Ana Cristina Ioselli TV Press 
Tranquilidade financeira e serenidade emocional sustentam a segurança que a atriz Juliana Martins transmite a cada palavra. Casada há um ano com o músico Eduardo Lyra e com contrato renovado com a Globo até o ano 2000, Juliana sente-se em paz para dedicar-se com afinco ao que mais gosta de fazer: atuar. Na pele da sedutora e maquiavélica Lúcia, de Zazá, aos 23 anos de idade a atriz experimenta uma popularidade que até então não havia conhecido. Nunca fui tão assediada, assusta-se.
Com a romântica Bela, que por um ano e meio protagonizou o folheteen Malhação, o máximo que Juliana conseguiu foi atrair a atenção das crianças. Hoje em dia sou abordada até no supermercado, conta Juliana, comprovando que os vilões, ou os que têm falhas de caráter, como ela prefere definir a Lúcia, são muito mais atraentes.
Sentada no sofá de sua casa, no Jardim Botânico, no Rio, Juliana Martins faz pose de veterana. Na verdade, o fato é que desde os 11 anos de idade convive com os bastidores televisivos. Logo, conhece bem as dificuldades da profissão.
Quando menina, foi até a Globo fazer um teste para o papel de Narizinho, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, e acabou ganhando o papel de uma integrante do Clube dos Curumins na novela A Gata Comeu. Divertiu-se bastante, mas foi bom apenas enquanto durou.
O próximo trabalho só viria cinco anos depois na minissérie Riacho Doce, em 1990. No ano seguinte, participou da novela Vamp e veio um novo hiato televisivo. Não fazia nada porque não me chamavam mesmo, diz, sem escrúpulos. Demorou quatro anos para que Juliana fosse convidada por Roberto Talma para integrar o elenco de Malhação, em 95. Agora, inclui Zazá no currículo.
Na época da seca televisiva, logo depois de Vamp, Juliana já havia decidido que ser atriz era o que mais queria na vida. Mesmo sem convites para a tevê, embrenhou-se pelos palcos de diversas partes do Brasil viajando com peças teatrais. Aprendi muito, testemunha.
No campo pessoal, Juliana garante que não tem do que reclamar. Mas, profissionalmente, ainda sonha com uma personagem do nível da Dora de Riacho Doce.


