Há duas semanas, uma rotineira manhã de sábado no Calçadão de Londrina ganhou uma animação diferente quando jovens vestidos com roupas extravagantes e coloridas invadiram o local. Aguçando a imaginação de crianças e despertando a curiosidade em adultos, o grupo parecia dar vida a personagens de desenhos japoneses, encontrados na TV, em jogos ou mangás (histórias em quadrinhos). Eles estavam convidando a população a conhecer o Cosplay, brincadeira que levam muito a sério e que envolve fantasias e interpretação.
Para quem deseja conhecer mais sobre esse universo "otaku" – termo usado para denominar fãs de animes e mangás – o grupo organizou o Dreams World, encontro de cosplayers (praticantes de Cosplay) que será realizado no Colégio Pontual, em Londrina, hoje e amanhã.
Segundo o organizador Fernando Guariso Crepaldi, 21 anos, a ideia de realizar o Dreams World surgiu em 2010, como forma de acrescentar e aprofundar essa cultura na cidade. "O pessoal gosta de se fantasiar para representar seu personagem favorito. Nos eventos há concursos, desfile, pequenas peças teatrais, tudo para mostrar a personalidade do cosplay. Tem gente que não só usa a roupa, mas realmente incorpora o personagem", conta Fernando.
Outra organizadora do evento, Débora Guimarães Renostro, 21 anos, é cosplayer desde os 14. "Fui apresentada aos animes e gostei muito! Quando você vai aos eventos, vê o pessoal fantasiado, tirando fotos... Você assiste ao anime e pensa: 'Vi alguém assim, também quero fazer isso!'", diz, empolgada, a cosplayer dos personagens Tsunade e Naruto. "Tem muita gente que nem sabe meu nome: ‘Olha, é a Tsunade, é a Matsumoto!’ As pessoas se acostumam com o cosplay e você atende por esses nomes, né?", diz Débora, desejosa de que mais pessoas conheçam esse hobby.
Já Pedro Américo Rodrigues Santana, estudante de letras na UEL, começou no mundo do Cosplay em 2008, e continua se aprimorando. "O ideal é você sempre procurar novas técnicas de pintura, de costura, comprar lente de contato, perucas de uma qualidade boa e saber se comportar como a personagem, porque é muito mais do que se vestir", ensina.
Pedro conta que nos concursos o que mais conta é a apresentação que se faz. Segundo ele, algumas pessoas participam como profissionais. "Sempre gostei de teatro, animação, e desde que comecei a ler anime, mangá e outros filmes de super-herói, me interessei pela arte. Para mim é um hobby, mas tem muita gente que faz cosplay para vender, como armaduras e armas de personagens."
O evento, que começa às 9h e termina às 21h30, terá batalha de bandas, animekê (karaokê com músicas de desenhos orientais) e sala de jogos. Além disso, haverá palestras com a escritora de "A Arma Escarlate", Renata Ventura, e com a vlogueira (autora de vídeo-blog) Patrícia Fagundes, nomes conhecidos no universo otaku.
Já foram vendidos cerca de 200 convites para o sábado e 300 para o domingo. Ainda estão disponíveis 100 para o primeiro dia e 150 para o segundo. Os ingressos podem ser adquiridos no local do evento (R. Tupi, 455) por R$ 10 (meia-entrada).



Para saber mais
O estudante Mateus Rocha, 16, criou o Blog Universo do Mundo Otaku (www.umomt.com) há dois anos. A página fala sobre mangás, animes, eventos, livros e muitos mais. "Nunca fiz cosplay, mas minhas amigas gostavam dessas coisas e fui influenciado por elas. Como quero ser jornalista, pensamos em fazer um blog, porque poderíamos escrever o que quiséssemos sobre isso", explica.
Heloísa Rocha, irmã de Mateus, tem apenas quatro anos e vai participar pela primeira vez de um evento de cosplay, vestida de "Lolita". "Lolitas são as garotas que se vestem de boneca. Elas costumam vender cupcakes nos encontros", explica Mateus, acrescentando que o hobby ganhou apoio até de sua mãe. "Ela gosta muito que a gente participe, acho que até vai ao evento. Ela assiste anime, lê os mangás, se interessa bastante por isso. Lê o blog também e dá ‘pitaco’ às vezes."



Dos EUA para o Japão
O termo "Cosplay" une as palavras inglesas costume(traje/fantasia) e roleplay (diversão), e é usado para se referir a um segmento da cultura pop que tem sido cada vez mais difundido no Brasil. Os cosplayers, praticantes do hobby, costumam realizar encontros onde vestem fantasias de personagens orientais - dos animes, games e mangás – imitando seus gestos e personalidades.
A brincadeira tem raízes nas convenções de ficção científica dos Estados Unidos. Em 1939, o jovem Forrest J. Ackerman e sua amiga Myrtle R. Douglas compareceram fantasiados a um desses eventos e ditaram moda. Mais pessoas aderiram às fantasias em outras convenções e o hobby ficou conhecido como "costuming". Em 1984, a prática foi descoberta pelo estudioso japonês Nobuyuki Takahashi, virou febre no Japão e se espalhou por muitos outros países, agora com o nome de Cosplay.

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