'Vestindo a camisa' para a Copa
Com criatividade, o Colégio Estadual Albino Feijó Sanches conseguiu motivar os 120 alunos do ensino médio integrado do curso Técnico de Meio Ambiente a torcer pela Copa. Incomodada com a apatia dos alunos em relação ao campeonato mundial de futebol realizado este ano no Brasil, a professora de educação ambiental, Carla Roveri, teve a ideia de fazer uma atividade em que os alunos pudessem customizar camisetas para usarem durante a Copa. Com o apoio da professora Erika Emi Fukushigue Hama, da disciplina de arte, eles utilizaram a técnica de tingimento tie dye. De origem asiática e africana, esse tipo de técnica ganhou popularidade no auge do movimento hippie, nas décadas de 1960 e 1970. "Essa técnica é bem simples de fazer e o resultado fica muito bom. Muitos não conheciam essa forma de tingimento e se surpreenderam", observa a professora Erika.
No pátio da escola, sempre sob a supervisão da professora Carla, os alunos utilizaram um fogão industrial para ferver os tecidos em dois panelões com água, fixador e tinta em pó nas cores verde e amarela. Conforme a dobra e amarração do tecido, um desenho original era obtido. Para secar as camisetas, um varal foi improvisado no gramado da escola. "Eles acabaram muito empolgados com a atividade, que motivou a escola de modo geral. Eu realmente estava preocupada com a apatia deles. Entendo que na idade deles é inevitável um senso crítico maior, mas queria que eles também refletissem sobre questões ligadas ao patriotismo, à importância do trabalho em equipe, e acho que conseguimos isso", destaca a professora Carla. "A educação ambiental também engloba a questão social", acrescenta. E até o refeitório da escola ganhou uma decoração especial verde-amarela.
O trabalho ainda acabou envolvendo o professor de Educação Física, Esmeraldino Franco Júnior, que fez questão de ampliar o debate com os alunos. "Tivemos várias conversas sobre a origem do campeonato, a influência do sistema capitalista na realização do evento, a importância de cobrarmos que as promessas de infraestrutura sejam cumpridas, de ficarmos atentos, mas também de torcermos para que tudo corra bem e que não hajam manifestações violentas", comenta.
A aluna Jéssica Maria Biggi Santos, de 17 anos, confirmou que antes da atividade acontecer estava bem desanimada em relação à comemoração da Copa. "Achava que era algo desnecessário, mas depois que vimos a camiseta pronta, ficamos animados. Foi legal também ajudar os alunos do primeiro ano a fazer o tingimento. Muitos dizem que a Copa já está 'comprada', mas vou torcer para que o Brasil ganhe", afirma. O aluno Mateus Martins, de 15, também admitiu que o desânimo estava predominando na escola. "Eu já ia torcer antes, mas foi bom ver toda a escola animada depois desse trabalho. Agora estamos até nos organizando para assistir aos jogos juntos. Acho que os jogadores não têm culpa da corrupção que acontece no País e acho que o Brasil tem grande chance de ganhar, ainda mais jogando em casa", conclui o aluno. (A.P.N.)





