Vestígios da história
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quarta-feira, 04 de março de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A paisagem arquitetônica de Londrina mudou velozmente nas últimas décadas. É possível, todavia, encontrar vestígios em alguns bairros da época de ouro da cafeicultura e até da fase de colonização do município. Um projeto desenvolvido na Vila Brasil foi atrás da memória e da história de seus moradores com o objetivo de valorizar um patrimônio daquele período: as casas de madeira.
A iniciativa envolveu uma equipe de colaboradores coordenada pelo profissional de Relações Públicas Danilo do Amaral, que contou com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) para realizar entrevistas com pessoas que vivem no bairro em moradias feitas com tábua. O resultado da empreitada é a cartilha ''Memórias de Madeira - Histórias para Contar e Cuidados para Aprender'', lançada no último fim de semana e que será distribuída para os próprios moradores e também em escolas, museus e bibliotecas.
''Entrevistamos 11 famílias. Eles nos receberam em casa e contaram suas histórias. A cartilha mistura memórias e fotos de moradores de casas de madeira da Vila Brasil, além de ilustrações e cuidados para a manutenção da casa'', explica Amaral. Entre os cuidados para zelar pelo imóvel estão descritos desde a maneira correta de pintá-lo até o controle da umidade e a observação constante dos telhados (para evitar goteiras).
''A tinta tem que ser a óleo, porque se passar tinta à base de água é a mesma coisa que nada'', alerta Dona Idail em um depoimento registrado na cartilha. De acordo com Amaral, um dos objetivos do projeto foi contribuir para a superação da idéia de que as casas de madeira são mais precárias que as construções em alvenaria. O estigma, segundo ele, viria de um preconceito antigo datado de 1939.
Nessa época, a Companhia de Terras Norte do Paraná e a administração municipal já travavam uma verdadeira guerra - por meio de leis e decretos - que teria continuidade até a década de 50, quando uma legislação proibiu a construção de residências de madeira no quadrilátero central de Londrina. O argumento era de que as casas desse tipo constituíam material de segunda categoria e iam na contramão da modernidade.
Além de Amaral, a pesquisa contou com a colaboração de Isabela Figueiredo (fotografia), José Rodrigues Andrade (facilitador), Alan Caldas (cientista social), Luiz Gustavo Galhardo (engenheiro civil) e Chico Maciel (designer gráfico). A quem se interessar, exemplares da cartilha podem ser retirados gratuitamente na Vila Cultural Brasil (R. Uruguai, 1.656). O telefone para contatos é (43) 3324-8056.


