Verve para dançar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Celina Alonso Az Maringá 
Um dos mais respeitados grupos paranaenses de dança contemporânea, o Verve Companhia de Dança, radicado em Campo Mourão, se apresenta hoje em Maringá. O espetáculo Terral, uma coletânea de seis coreografias sobre o cotidiano, com músicas de extremo bom gosto, será apresentado às 20h30 no Teatro Callil Haddad.
No dicionário de Aurélio Buarque, verve é definida como o calor de imaginação que anima o artista.... Nos dois anos de trajetória pelo Paraná, os seis bailarinos do Verve acreditam ter se apossado do significado e do significante da palavra e investem numa mistura de técnica e intuição, impulso e reflexão, corpo e alma, razão e emoção, - e acima de tudo: vontade.
Os seis temas coreografados para Terral retratados com muito bom humor, abordam os movimentos do cotidiano, passam por reflexões sociais que evidenciam o drama, ou sublinham o místico, - uma compulsão nacional.
Segundo o diretor do espetáculo Fernando Nunes as coreografias desenham no palco símbolos, metáforas, medos, alegrias, muita fantasia e esperança, que sem estas o homem é morto-vivo.
ParódiaA versão irreverente da coreografia de Petipa e Ivanov, concebida por Fernando Nunes para Quebra Nozes...nozes...nozes, com música de Tchaikovysky, é uma paródia que acentua falhas de produção de um espetáculo, deixando seus bailarinos numa situação de difícil controle.
Na Serial Killer, com música de Vivaldi, um solo de Cecília Gama enfoca o humor negro e o surrealismo. O trabalho em ritmo frenético é inspirado nos filmes mudos do início do século. A coreografia Memória de Pele, com música de Monsueto e Ayrton Amorim, mostra o encontro e o desencontro de dois personagens na aceitação e na negação do relacionamento afetivo. Enquanto Silvio Santos Não Vem tem música do percussionista Naná Vasconcelos para mostrar com humor e ironia as caricaturas do nosso cotidiano vividas por cinco personagens televisivos. Três-Meia-Cinco cria uma situação sem saída para três intérpretes que passam toda a coreografia aprisionados num quadrado.
E Terral é uma coreografia para música de Naná Vasconcelos com 30 minutos de duração. Nesta última parte do espetáculo, quatro personagens ora entorpecidos, ora lúcidos parecem fazer parte de um ritual em torno e no centro de um espaço triangular. Com a divisão da coreografia em várias fases, auxiliado pela música do percussionista, o grupo Verve pretende criar um clima místico e primitivo do contraste entre a terra e a atmosfera.


