Verve dança no Filo
Quem for ao Cine-Teatro Ouro Verde, esta noite, esperando assistir a uma tradicional apresentação de dança, pode ter surpresas. Pelo menos na avaliação do diretor Fernando Nunes, que mostra no Filo 2000 sua mais recente concepção frente à Verve Companhia de Dança, de Campo Mourão. E é com a montagem Truveja Pra Nóis Chorá com a qual foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte em 1999 que o grupo se apresenta hoje e amanhã, às 21 horas.
Na tentativa de trabalhar uma linguagem desvinculada da dança clássica, Fernando Nunes uniu humor e poesia para falar das tradições populares do interior do Brasil. A encenação é um mosaico de movimentos criados e recriados a partir de personagens e situações dos cotidianos urbano e rural.
Para a criação das estruturas da montagem, a Verve buscou inspirações em outras linguagens, como o cinema mudo e os quadrinhos. Não sei trabalhar com uma visão única do movimento. A minha necessidade de falar do hoje é misturar todas as linhas de trabalho com o corpo através do teatro, do circo, das artes plásticas, detalha. Esse é um trabalho quem nem o próprio diretor consegue definir exatamente. É uma mutação, uma fase importante de questionamento. A clareza está no concreto objetivo de resgatar o valor humano e a poesia.
Situações corriqueiras como uma procissão, a construção de um cemitério, as andanças pelo Brasil formam o roteiro deste espetáculo, no qual o texto é apenas um pretexto para a criação do movimento. Essa simbiose corpo-texto serve como música, diz.
A ligação entre os vários fragmentos é feita pelo espaço cênico, que traduz, ao mesmo tempo, as formas concreta e psicológica. Apesar do tema ingênuo, a sofisticação está na fragmentação do tema. Tanto o cenário como a luz envolvem o real, mas remetem ao estado psicológico dos personagens. É por isso que cada um dos intérpretes deve, na opinião do diretor, vivenciar e se inter-relacionar com a gama de matizes do espetáculo.
(J.S.)
Truveja Pra Nóis Chorá, com a Verve Cia. de Dança, de Campo Mourão. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde. Concepção e direção: Fernando Nunes. Coreógrafos: Mariusa Bregoli, F. Nunes e Moacir Coletto. Elenco: Mariusa Bregoli, Moacir Coletto, Valdir Rocha, Austin Andrade e Juliana Pepinelli. Concepção/luz: F. Nunes e Silvio Vilczak. Iluminação e sonoplastia: Silvio Vilczak. Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, terceira idade e funcionários da UEL pagam R$ 5,00).





