Versos traduzidos em cor
Versos traduzidos em cor
A amizade que une Heliana Grudzien e Adalice Araújo faz com que esta apresente a ilustradora como minha filha. A ex-aluna de Adalice foi se especializar na Academia de Belas Artes de Varsóvia, na Polônia, e lá começou a receber os escritos que hoje compõe o livro Cantos do Desamor.
Quando li os poemas da Adalice, senti um pouco da minha vida ali embutida, conta. À medida que tomava contato com os versos da amiga, automaticamente criava as ilustrações, que nasciam definidas.
Nem sempre é assim, muitas vezes peno para ilustrar. São muitos os livros que caem na minha mão e esse foi o de maior prazer na minha vida, porque era uma coisa que fazia parte de mim, afirma.
Adentrar o universo dos sentimentos e dar-lhes feição teve a mesma magia como quando se trabalha num bordado, compara. Parecia uma corrente energética que ia se fechando, porque nos poemas da Adalice tem muita coisa da vida. É uma catarse.
Os traços vigorosos de Heliana nervosos, ligeiros tiveram contribuição direta do país onde ela se encontrava no momento em que os criava. Mais precisamente de seus professores, que insistiam para que a artista brasileira liberasse a força que trazia em si. As gravuras são um pouco o resultado desse empenho.
Quando fui à Polônia, tinha medo de pintar. Eu só ficava com a parte gráfica: lápis de cor, bico-de-pena... Meus orientadores diziam que eu tinha muita coisa dentro de mim e precisava pôr para fora. Não podia ficar só nessa coisa que me amarrava, conta.
Os exercícios a que Heliana se submeteu eu tinha que puxar pelo gestual, pelo corpo, pelo músculo deram-lhe esse vigor e liberdade, presentes no livro. Adoro o que ela faz, é uma grande artista, opina Adalice. Juntas, estão envolvidas em novo trabalho, que deverá se chamar Cantos do Desamor 2. Por que esse título? Porque o processo é sempre o mesmo: de catarse, encerra a poeta.(Z.C.L.)





