Versos e mais versos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 1997
Erika Pelegrino 
Ele é de família nordestina e pratica a antiga arte dos menestréis. É José Aparecido Lima, o Xandu, que lança hoje, às 11 horas, na Biblioteca Pública de Londrina, seu 12º livro de literatura de cordel - A Chegada de Ayrton Senna no Céu.
Apesar disso, o autor confessa que o gosto maior é pela poesia, que segundo ele também é mais lucrativa. Mas sempre escrevo literatura de cordel para preservar- afirma. No Paraná, contando comigo, há apenas quatro escritores que se dedicam a este tipo de literatura- informa. Ao todo, Xandu já escreveu 18 títulos, dos quais seis dedicados à poesia.
O ex-secretário de Cultura de Londrina, professor Alcides de Carvalho, especialista em literatura de cordel afirma que a produção é grande no país, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Existem ao todo 20 mil títulos no país, enquanto a literatura de elite conta com três mil títulos, explica.
No Brasil a literatura de cordel começou a existir, de acordo com Carvalho, por volta de 1600 quando o homem avançava o interior do Nordeste. Só que era apenas oral- explica. Nesta época haviam as pelejas ou desafios nos quais os homens, noite adentro, faziam uma espécie de duelo de histórias.
Cronologicamente, foi por volta de 1850 que surgiu a literatura de cordel, propriamente dita. Os livretos, na época, eram feitos manualmente em papel de pão e com letras compradas em tipografia.


