Ele é de família nordestina e pratica a antiga arte dos menestréis. É José Aparecido Lima, o Xandu, que lança hoje, às 11 horas, na Biblioteca Pública de Londrina, seu 12º livro de literatura de cordel - ‘‘A Chegada de Ayrton Senna no Céu’’.
Apesar disso, o autor confessa que o gosto maior é pela poesia, que segundo ele também é mais lucrativa. ‘‘Mas sempre escrevo literatura de cordel para preservar’’- afirma. ‘‘No Paraná, contando comigo, há apenas quatro escritores que se dedicam a este tipo de literatura’’- informa. Ao todo, Xandu já escreveu 18 títulos, dos quais seis dedicados à poesia.
O ex-secretário de Cultura de Londrina, professor Alcides de Carvalho, especialista em literatura de cordel afirma que a produção é grande no país, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. ‘‘Existem ao todo 20 mil títulos no país, enquanto a literatura de elite conta com três mil títulos’’, explica.
No Brasil a literatura de cordel começou a existir, de acordo com Carvalho, por volta de 1600 quando o homem avançava o interior do Nordeste. ‘‘Só que era apenas oral’’- explica. Nesta época haviam as ‘‘pelejas’’ ou ‘‘desafios’’ nos quais os homens, noite adentro, faziam uma espécie de duelo de histórias.
Cronologicamente, foi por volta de 1850 que surgiu a literatura de cordel, propriamente dita. Os livretos, na época, eram feitos manualmente em papel de pão e com letras compradas em tipografia.

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