Versos dos quatro cantos do planeta
A velha história de quem ri por último ri melhor sempre foi mal contada. Há quem diga que quem ri primeiro detona uma espécie de bomba de riso que contagia todos que estiverem por perto. Há também quem diga que quem ri primeiro foi o primeiro a entender a piada, apenas isso. Mas no fundo o que realmente importa é o riso.
Ri Melhor Quem Ri Primeiro, um dos últimos projetos do poeta, ensaísta e tradutor José Paulo Paes, falecido em outubro último, é um testemunho de todos têm razão, aqueles que riem primeiro, por último ou no meio. Ou até mesmo aqueles que não riem.
Lançado agora pela Editora Companhia das Letrinhas, Ri Melhor Quem Ri Primeiro - Poemas para crianças (e adultos inteligentes) é uma coletânea de 31 poemas selecionados e traduzidos por José Paulo Paes. São textos acessíveis às crianças, que vieram de várias partes do mundo, escritos em várias épocas.
Entre os escolhidos mais conhecidos estão García Lorca, Vinicius de Moraes, La Fontaine, Lewis Carroll, Guillaume Apollinaire, Raymond Queneau, Gianni Rodari, Fedro, Robert Louis Stevenson, Bertolt Brechet, Jacques Prévert, Nicolás Guillén, Ted Hughes e outros. Cada poema é ilustrado por um artista diferente, fazendo do livro uma diversidade de traços e estéticas. Os principais ilustradores brasileiros em atividade estão presentes.
Há poemas singelos como No muro / o gato. / Na árvore / o passarinho. / Agora: / o gato / na árvore. / O passarinho / no muro. / Na janela / uma criança rindo. - de autoria da escritora sueca Heinz Manz. Há poemas divertidos como Na casa de pensão onde estou morando, / tudo logo envelhece, pelo que vejo. / Há longos cabelos brancos na manteiga / e manchas verdes de mofo sobre o queijo. / Quando o cão morreu, serviram-nos salsichas, / e quando morreu o gato, lebre ensopada. / Quando o dono da pensão morreu, mudei-me: / costela fria é prato que não me agrada. - de autoria anônima.
José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga (SP), em 1926. Na década de 40 passou a residir em Curitiba, onde estudou química industrial. Transferindo-se para a cidade de São Paulo, passou a trabalhar como farmacêutico. Publicou seu primeiro livro de poemas em 1947. Autodidata, como tradutor dominava oito idiomas. Curiosamente lia e escrevia em oito idiomas, mas não sabia falar nenhum deles, declarava que era surdo-mudo em várias línguas: Não as domino, sou dominado por elas.
Em seus últimos anos de vida dedicou-se à literatura infantil. Escreveu e traduziu vários livros de poesia para crianças. Entre eles destaca-se Uma Letra Puxa a Outra, O Passarinho me Contou e Um número Depois do Outro.
Ri Melhor Quem Ri Primeiro - Poemas para Crianças (e adultos inteligentes), seleção e tradução de José Paulo Paes, poemas de Fedro, La Fontaine, Gottlieb Conrad Pfeffel, Gottfried August Burger, Edward Lear, Hans Vilhelm Kaalund, Lewis Carroll, Robert Louis Stevenson, Trilussa, Christian Morgenstern, Guillaume Apollinaire, Joachim Ringelnatz, Bertolt Brecht, Federico García Lorca, Jacques Prévert, Sosígenes Costa, Malcolm de Chazal, Nicolás Guillén, Ogden Nash, Raymond Queneau, Yánnis Ritsos, Milissanthi, Vinicius de Moraes, Robert Desnos, Gianni Rodari, Glória Fuertes, Ted Hughes, Heinz Manz, e Bernard Lorraine, ilustrações de Eliardo França, Miadaira, Ricardo Azevedo, Alcy Linares, Odilon Moraes, Pepe Casals, Angelo Lago, Graça Lima, Maria Eugênia, Laerte, Ricardo Girotto, Roger Mello, Claudio Martins, Suppa, Laurabeatriz, Spacca, Alexandre Suannes, Demóstenes, Walter Ono, Kiko Farkas, Ivan Zigg, Carlos Matuck, Ciça Fittipaldi, Michelle Iacocca, Cláudio Castello, Cristina Burger, Daniel Kondo, Luiz Maia, Avelino Guedes e Jô de Oliveira, 72 páginas, colorido, R$ 18,00.Cláudio Martins/ReproduçãoLivro é uma diversidade de traços e estéticasMarcos Losnak
Especial para a Folha2





