Versatilidade pouca é bobagem
O escritor Luís Fernando Veríssimo se considera um gaúcho desnaturado. Nascido em Porto Alegre há 62 anos, ele não conhece o gosto do chimarrão, não aprendeu a fazer churrasco e só andou a cavalo uma vez num parque de diversões. Na literatura, porém, Luís Fernando tornou-se um dos melhores escritores do País. Atualmente, além das crônicas e das tiras de quadrinhos As Cobras, publicadas regularmente em jornais e revistas, divide o tempo entre o segundo romance da carreira, Gula, e o lançamento de um CD com clássicos do jazz, como Scrapple from the Apple e Birth of the Cool. Não sou tão organizado quanto gostaria. A minha musa inspiradora é o prazo de entrega, brinca.
Autor de 40 livros - entre coletâneas de crônicas, roteiros de viagens e até um romance, O Jardim do Diabo, publicado em 1988 - Luís Fernando se declara um autodidata. Filho do escritor e jornalista Érico Veríssimo, ele começou a se interessar pela literatura em 1967, quando foi trabalhar como revisor no jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Antes de ganhar a vida escrevendo, sonhava em ser saxofonista e chegou a tocar no grupo Renato e Seu Sexteto. Criador de tipos hilários como o detetive Ed Mort e o analista de Bagé, Luís Fernando não se considera uma pessoa engraçada. Sou uma negação até para contar piadas. Sempre esqueço o final da anedota, admite.
O seu primeiro romance, O Jardim do Diabo, foi publicado em 1988. O que o levou a voltar ao gênero?André Bernardo
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasLuís Fernando Veríssimo: Na maioria das vezes, a minha reação diante dos fatos corriqueiros do dia-a-dia é mais depressiva que espirituosaCult Press





