Simone Mattos
De Curitiba
Apesar do nome, a companhia Hubbard Street Dance Chicago, que está em turnê pelo Brasil e faz hoje único espetáculo em Curitiba, não apresenta street dance. No palco, 20 bailarinos dançam uma interessante e inédita mistura de balé clássico, dança flamenca, artes marciais, jazz teatral e dança de salão. ‘‘O nome da companhia vem da rua em que o estúdio de dança estava originalmente localizado, a Rua Hubbard, e não tem nada a ver com o nosso estilo’’, esclarece o coreógrafo e fundador da companhia Lou Conte, em entrevista exclusiva à Folha2.
O grupo está no Brasil desde o início do mês e já se apresentou em São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Após o único espetáculo em Curitiba, a companhia segue para o Rio de Janeiro, onde estará dia 30, no palco do Teatro Municipal.
Formado há 22 anos, o Hubbard Street Dance Chicago já recebeu elogios de nomes respeitáveis, além de constantes recomendações favoráveis da crítica especializada. Em 1981, o bailarino e ator Fred Astaire, após assistir a uma estréia da companhia, comentou: ‘‘É uma das melhores performances de dança que vi nos últimos tempos.’’
Mantendo uma média de 100 mil espectadores todos os anos, a companhia participa dos principais festivais de dança do mundo, além de manter um trabalho constante de formação de platéias, levando anualmente mais de 17 mil estudantes aos seus espetáculos.
O Hubbard Street Dance Chicago atua como um arquivo vivo de trabalhos coreográficos de peso, mantendo um amplo repertório que inclui trabalhos dos mais famosos coreógrafos da atualidade, como Twyla Tharp, David Parsons, Bob Fosse, James Kudelka, Kevin O’Day, Jíri Kylián, Daniel Ezralow e Nacho Duato.
Para o espetáculo em Curitiba, Conte selecionou cinco coreografias. A apresentação começa com ‘‘Super Straight is Coming Down’’, de Daniel Ezralow. É uma coreografia abstrata, com movimentos ardentes e virtuosos, dançada por cinco bailarinos sobre a música do compositor holandês Thom Willims.
A segunda coreografia a ser apresentada será ‘‘Quartet for IV (and sometimes one, two or three)’, de Kevin O’Day, uma intrincada mistura de balé, artes marciais e temas românticos numa coreografia eclética e ao mesmo tempo lírica.
O espetáculo prossegue com ‘‘Jardi Tancat’’, do espanhol Nacho Duato. A peça é rítmica e vibrante, baseada em canções folclóricas da Catalunha, pequisadas e cantadas por Maria del Mar Bonet.
A quarta coreografia, ‘‘The 40s’’, foi criada pelo próprio Lou Conte e celebra a era das Big Bands. Movimentos alegres e divertidos são executados por todos os componentes do grupo.
Para encerrar o espetáculo, será apresentado ‘‘Let’s Call the Whole Thing Off’’, de Harrison Eldowney. Este trabalho contemporâneo retrata a vida de um casal que não consegue viver junto ou separado, conciliando suas diferenças e humores por intermédio de uma dança excitante e enérgica.
Os bailarinos que fazem parte da companhia são Dawn Bandy, Leisla Beemer, Darren Cherry, Sandi J. Cooksey, Steve Coutereel, Ron de Jesus, Meredith Dincolo, Charlaine Katsuyoshi, Yael Levitin, Cheryl Mann, Jamy Meek, Kendra Moore, Geoff Myers, Mary Nesvadba, Massimo Pacilli, Joseph Pantaleon, Joiseph Patrick Pescetto, John Ross, Gregory Sample e Mark Swanhart.
Esta é a primeira vez que vocês se apresentam no Brasil? Qual a impressão que vocês estão tendo do público brasileiro?
Lou Conte – Não é a primeira performance nossa aqui. Dançamos em São Paulo, em agosto de 1986. A receptividade do público nas apresentações que fizemos em São Paulo e Porto Alegre, na atual turnê, foi ótima, muito parecida com a que recebemos nos Estados Unidos ou em outros países por onde passamos.
Vocês recebem críticas extremamente favoráveis, inclusive de grandes nomes como Fred Astaire. Isto é um estímulo para a companhia?
O comentário de Fred Astaire, uma das principais forças da dança, foi emocionante para a companhia. É inspirador receber elogios de um tão maravilhoso profissional da dança.
Vocês conhecem as companhias de dança contemporânea do Brasil?
Eu não estou familiarizado com a dança moderna brasileira, de qualquer forma, desta vez eu terei a oportunidade de ver o Grupo Corpo pela primeira vez. Eu estou aguardando ansiosamente por uma oportunidade de conhecer melhor a dança feita aqui.
Como é o trabalho de formação de platéia que vocês fazem com estudantes? O retorno tem sido satisfatório?
Hubbard Street Dance Chicago tem um muito bem-sucedido programa de educação para pessoas jovens, o que inclui conferências e preleções como a que fizemos em São Paulo na semana passada. A nossa mensagem aos jovens é que a dança deve ser para todos e não apenas para as elites. Nos esforçamos para ser uma companhia muito cordial com as platéias, para comunicar a alegria da dança ao nosso público e para mostrar que a difícil realização do nosso trabalho deve fazer bem ao espírito.
•Hubbard Street Dance Chicago – Apresentação hoje, às 19 horas, no Guairão. Ingressos a R$ 50,00 (platéia), R$ 40,00 (primeiro balcão) e R$ 15,00 (segundo balcão). A apresentação faz parte da campanha Artes Contra a Fome. Quem quiser participar, poderá levar ao teatro três quilos de alimentos não perecíveis e trocá-los por uma camiseta oficial da turnê. Mais informações pelo telefone (41) 200-1993.A Cia. Hubbard Street Dance Chicago, que mescla balé clássico, dança flamenca e até artes marciais, se apresenta hoje em Curitiba
DivulgaçãoBailarinos em ação: trabalho constante de formação de platéiasDivulgaçãoDivulgaçãoA cia. americana chegou a arrancar elogios até de Fred Astaire

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