Acontece logo mais às 21 horas no Teatro Guaíra uma das maiores atrações do Circuito Cultural Banco do Brasil. Sobem ao palco dois versáteis nomes da música brasileira: Ana Carolina e Arnaldo Antunes. As apresentações, de uma hora cada, prometem agitar o público que for ao teatro conferir a diversidade dos dois artistas.
Arnaldo Antunes já é velho conhecido dos fãs do pop brasileiro, desde a década de 80. É, sem dúvida alguma, um dos maiores compositores da atualidade. Além disso, é poeta. Lançou ontem, em São Paulo, seu segundo livro. ‘‘40 escritos’’, uma coletânea de textos publicados ao longo de 20 anos. ‘‘É um mosaico das artes plásticas, televisão e música brasileira’’, disse em entrevista pelo telefone para o Folha 2.
Arnaldo traz neste livro um retrato do que se passa na sua cabeça, sempre muito acelerada e cheia de fragmentos concretistas. Esses ‘‘mosaicos’’, citados por ele e que estão presentes no livro, são uma tônica do trabalho desse paulista de 40 anos que tem músicas gravadas por grandes intérpretes brasileiros e estrangeiros.
Sem falar do seu trabalho com os Titãs, Arnaldo compôs ‘‘Cabelo’’, gravado por Gal e Benjor, ‘‘Beija Eu’’, ‘‘Alta Noite’’, ‘‘Volte para o seu Lar’’ e ‘‘Comida’’, gravadas por Marisa Monte. É difícil citar todo mundo que gravou Arnaldo, porque ele já fez muita coisa, inclusive para o recente espetáculo do Grupo Corpo, o mais conceituado grupo de dança brasileiro.
O show ‘‘Um Som’’, que faz logo mais, já está na estrada desde o ano passado. ‘‘O show chega a Curitiba bem rodado. Estou contente de estar de volta à cidade. Faz mais de uma ano que estive aqui e é sempre muito bom tocar para o público curitibano e poder rever os amigos que tenho aqui’’.
Depois de encerrar essa turnê, o cantor, compositor, poeta e performático Arnaldo Antunes começa a trabalhar no seu novo álbum. Sempre cuidadoso com a produção de seus trabalhos, não falou muito sobre como vai ser o disco, com previsão para lançamento só no ano que vem , ‘‘é um trabalho que está em definição, até o final do ano devo estar começando a produzí-lo’’.
A mineira Ana Carolina é um nome recente na mídia, seu sucesso começou em 1999, com a música ‘‘Garganta’’, de autoria de Totonho Villeroy, onde a cantora dá uma interpretação forte à canção. Mas Ana não fica só nessa não. Manda bem no violão, toca pandeiro e compõe suas músicas.
Segundo ela, a repercussão do primeiro disco ‘‘Ana Carolina’’, com uma vendagem de 100 mil cópias (disco de ouro), e indicação ao Grammy, foi uma surpresa. ‘‘Não fiz o disco pensando em vender tudo isso e vendeu, agora estou com o mesmo espírito, só que compondo cada vez mais’’. A artista se refere aos preparos de seu próximo disco, com lançamento previsto para o ínicio de 2001.
No espetáculo de hoje à noite, um som pesado, mais dinâmico do que o disco, ‘‘com o frescor do ao vivo’’. O repertório traz duas músicas inéditas, ‘‘Violão e Voz’’ e ‘‘Joana’’. Quando Ana canta a primeira, fica sozinha, diz que prefere ‘‘ficar só do que mal acompanhada’’, os músicos saem do palco, vaiando a sua atitude. Na segunda, Ana faz menção a uma certa ‘‘Joana’’ que não gosta de ouvir Billie Holliday. São atitudes bem humoradas que mostram a boa fase da artista autodidata que chega a Curitiba com sua carreira já consolidada.
Ana Carolina e Arnaldo Antunes se apresentam logo mais às 21 horas no Teatro Guaíra. Ingressos: R$ 10,00 mais um quilo de alimento não perecível.

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