Dorico da SilvaMeridien Ensemble Arts: do erudito ao popular passando também pelo rock, jazz e música étnicaUma das grandes atrações do 17º Festival de Música de Londrina se apresenta hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde. O grupo de metais e percussão Meridien Ensemble Arts, formado pelos músicos Jon Nelson e Joseph Burgstaller (trompetes), Daniel Grabois (trompa), Ben Herrington (trombone), Raymond Steward (tuba) e John Ferrari (percussão), vai apresentar toda sua diversidade musical em obras que vão do erudito ao popular, passando por estilos como o rock, jazz, étnica e músicas comissionadas para o grupo, num concerto inédito no Brasil.
Criado há 10 anos por jovens músicos - hoje com uma média de idade em torno dos 30 anos - que se conheceram em Nova York, o Meridien vem conquistando, de maneira firme e constante, o respeito da crítica e do público. O reconhecimento internacional aconteceu a partir de 1990, quando o grupo recebeu o prêmio na famosa competição ‘‘Concert Artist Guild New York’’, passou a se apresentar em várias partes do mundo, do conhecidíssimo Carnegie Hall de Nova York ao Suntory Hall de Tóquio.
Pela diversidade de suas apresentações, o Meridien Ensemble tem uma grande aceitação junto ao público de várias gerações. Principalmente porque, mesmo com uma formação clássica, não deixa de incluir uma certa personalidade própria à obra. ‘‘Quando se executa uma música seguindo a partitura, elementos da personalidade do músico acaba sendo incluida. E nós temos um toque pop’’ - diz Jon Nelson.
Para o grupo, a personalidade do compositor também é importante. ‘‘Bach foi um compositor progressista para sua época. Então, quando executamos uma obra sua, procuramos pensar como ele estaria tocando hoje se não tivesse morrido’’ - conta.
Quinteto de metais é uma formação recente, que surgiu na década de 50. O quinteto de metais com acréscimo da percussão é ainda mais recente - pouco mais de cinco anos. ‘‘Hoje, nos Estados Unidos, há vários conjuntos deste tipo mas que atuam mais na área de entretenimento, em bares e boates. Acho que nós somos o único deste tipo de formação que faz um trabalho de mais seriedade’’ - conta o músico.
TraduçãoEmbora não existindo muitas obras - nem eruditas nem populares - para este tipo de formação, o grupo não se aperta e ‘‘traduz’’ para seus instrumentos peças escritas para outros. No concerto de hoje, por exemplo, o grupo executa um madrigal renascentista escrito para cinco vozes, ‘‘Dois Madrigais’’, de Don Carlo Gesualdo, e uma peça de Bach para solo de violino, ‘‘Prelúdio e Fuga em Ré Menor’’, transcritas para metais. A tradução fica por conta do próprio grupo, que pode levar meses neste trabalho. ‘‘Quem vai assistir aos nossos concertos, escuta aquela música bonita que dura cinco minutos e não imagina o trabalho que deu’’ - diz Nelson.
Além destas, o grupo vai executar também as obras ‘‘Sonata’’, de Scarlatti; oito peças da coleção ‘‘Gebravchtmusick op.44’’, de Hindemith; ‘‘Migration’’, de Daniel Grabois; ‘‘Moo Shu Rap Wrap’’, de Su Lian Tan; ‘‘Revólver’’, de Robert Maggio’’, ‘‘Sonho de Miles’’, de Jon Nelson; ‘‘Marqueson’s Chicken’’ e ‘‘Black Page’’, de Frank Zappa; e ‘‘Ê-Taru-ʒ’, de Henrique de Curitiba, na versão de metais. Esta será a primeira vez que o grupo executa a obra do compositor brasileiro.
Meridien Ensemble Arts. Apresentação hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85. Fone:322.6381). Ingressos a R$ 3,00 (estudantes têm desconto de 50 por cento).

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