Versão do álbum "Psycho Circus" chega em duas semanas às lojas
São Paulo, 15 (AE) - No embalo do circo psicótico do Kiss, a gravadora Universal coloca nas lojas, em duas semanas, uma versão "anabolizada" do álbum "Psycho Circus", lançado no ano passado. Além das dez faixas do disco original, a nova versão tem seis faixas ao vivo gravadas durante apresentação da banda nos dias 12 e 13 de dezembro, no ISU Hulman Center, em Terre Haute, e no Market Square Arena, em Indianápolis (Indiana).
As seis faixas são muito bem escolhidas, porque representam várias fases da banda. Além do hino "Psycho Circus", estão na amostra "ao vivo" do Kiss as canções "Let me Go", "RocknRoll", "Into the Void", "Within", "100.000 Years" e "Black Diamond". Engraçado notar que a versão ao vivo de "Psycho Circus" é mais curta do que a versão de estúdio - as duas estão lado a lado, no álbum, em CDs diferentes. O que talvez pudesse demonstrar que o que sobra de rock, quando este é colocado à prova entre o público, é só o essencial. Não é o que ocorre, no entanto. "Into the Void", a faixa seguinte, tem inacreditáveis nove minutos de duração, a maioria consumidos em solos opulentos e flácidos de guitarra.
"Vocês estão tendo uma noite legal hoje?", pergunta Paul Stanley antes de cantar a sexta faixa bônus do CD, Black Diamond. Perto da exuberância de um AC/DC ou do virtuosismo de um Deep Purple, ainda vigorosos e na ativa, eles soam pacificados, ordeiros, sem graça. O Kiss é uma banda de parque de diversões no palco, uma espécie de Beto Carrero do rock, com seus truques manjados (mas eficientes) e a lascívia de filme pornô de quinta categoria. Mas é preciso ser um pouco parcial para aplaudir seu circo de alta redundância musical, os solos exibicionistas e vazios de Ace Frehley e a miséria criativa das composições da banda.
É um grupo dos mais conservadores do cenário rocker e sua importância residiu justamente no fato de explicitar quanto de cinismo e business havia no rock em sua geração. A questão é: por que continuar ouvindo, quase 30 anos depois? Bem, há algo de religioso em certas atitudes e o culto ao Kiss é certamente algo do gênero. O culto diminuíra em 1994, quando estiveram aqui sem as máscaras. Recrudesceu em 1995, quando gravaram um "Unplugged" da MTV, de volta à formação original.





