Evoluir é sinônimo de buscar mais desafios no universo dos esportes radicais. No caso do wakeboard, o resultado é o wakeskate. Enquanto no primeiro o aventureiro tem os pés presos a uma prancha, puxada por um barco em alta velocidade, no outro, os pés ficam soltos para manobras. E dá-lhe habilidade para não se dar mal na hora da aterrissagem.
O wakeskate surgiu há cerca de dez anos nos Estados Unidos. No Brasil, começou como uma brincadeira, há cinco anos, mas vem ganhando adeptos. ''Tenho casa em Ibiúna (SP) e já andava de wakeboard quando um amigo me apresentou o wakeskate'', conta Pedro Portela, de 23 anos. O estudante também já andava de skate e se identificou com a versão aquática. ''Como não é no concreto, não me machuco todo.''
Atualmente, Portela abandonou o wakeboard e faz só wakeskate. E não é o único: o estudante Lucas Mendes, de 21 anos, também praticava os dois, mas evoluiu no wakeskate e decidiu investir na modalidade, atraído pelo desafio. ''Como os pés ficam soltos, é mais difícil pular e manter o controle sobre a prancha'', afirma.
No wakeboard, o praticante fica preso à prancha por botas, o que permite saltos mais altos com a ajuda das marolas provocadas pelo barco. No wakeskate, pode-se brincar com manobras típicas do skate, como o flip - na qual gira-se a prancha sobre o próprio eixo vertical - e o shove-it, rotação horizontal de 180 graus ou mais.
Os mais habilidosos ainda arriscam juntar um salto de uma marola para outra com outros truques. ''São movimentos mais técnicos e complexos'', explica Mario Manzolli, organizador do Campeonato Paulista de Wakeboard.
Como no wakeskate não dá para saltar muito alto, as marolas não precisam ser grandes e a embarcação que puxa o praticante não precisa de muita potência. Nesses casos, pode-se até usar um jet ski.
Isso torna o wakeskate mais acessível. Um barco específico para este esporte custa em torno de R$ 60 mil e, um jet ski, cerca de R$ 25 mil. Outras vantagens são a economia com gasolina e a possibilidade de chegar a lugares mais rasos, onde a lancha encalharia. ''O wakeskate aproveita melhor o espaço e pode ser praticado em lugares menores'', explica Manzolli.
Junte-se a isso os equipamentos mais baratos para o wakeskate: a prancha para o esporte custa, em média, R$ 700 e para wakeboard, R$ 1.500. A modalidade ainda dispensa o uso das botas, que custam cerca de R$ 1.000.
Apesar de o wakeskate ser feito na água, os praticantes não estão livres de machucados. ''Deve-se ter cuidado para não aterrissar com um dos pés fora da prancha. As pernas podem abrir e causar uma distensão muscular'', explica Luiz Fernando Tacla, de 24 anos. A manobra rendeu ao esportista dois meses de molho, no ano passado.
Por isso, nada de se aventurar por aí antes de aprender as técnicas básicas. Os aventureiros recomendam fazer aulas de wakeboard antes de tentar o wakeskate, para aprender a ficar em pé e a saltar. ''No wakeskate, a prancha é mais arisca. Você cai muito e tem de repetir até conseguir fazer as manobras'', explica Portela.
O próprio wakeskate ainda é recente e tem muito a evoluir. Pranchas mais modernas e leves estão no mercado. Como desde o início do ano os campeonatos Brasileiro e Paulista de Wakeboard já contam com uma categoria específica para a versão ''skate'', a competitividade vai fazer os praticantes se superarem em busca do lugar mais alto do pódio - e surgirão manobras ainda mais radicais. É só uma questão de tempo.

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