Imagine um grupo que utiliza recursos tão malucos quanto brinquedos infantis e calimbas (instrumentos de origem africana). A estas intervenções, acrescente ruídos diversos, gargarejos, borbulhos, gritos esquisitos e uma bateria que fragmenta o ritmo. Baixo e guitarra se revezam em diálogos experimentais. Tempere tudo com doses de irracionalidade e improviso, e talvez o resultado passe perto dos paranaenses Vermes do Limbo. Radicalmente incomum, o grupo está lançando seu primeiro CD em Londrina.
Os Vermes do Limbo evitam o óbvio buscando soluções criativas. A música do grupo não é para todos os ouvidos e exige uma predisposição ao experimentalismo. Por isso não é indicada aos fãs do rock tradicional, habituados a estruturas com começo, meio e fim – na verdade, a banda não se encaixa em rótulos.
O CD ‘‘Vermes do Limbo’’ traz 18 faixas distribuídas em apenas 17 minutos. Algumas parecem vinhetas. ‘‘Ua (Estamos Afundando...)’’, que abre o disco, dura apenas 26 segundos, mas já revela a forma desconstrutiva com que a banda trata a música. A rapaziada mostra que a tríade baixo-guitarra-bateria, tão desgastada, ainda tem recursos para serem explorados.
Com cinco anos de estrada, a banda é formada por Guilherme Pacola na bateria, Vinícius Patrial no baixo e Fábio Fujita na guitarra. ‘‘Nosso som é experimental e tem muitas referências, a gente brinca com a estrutura da música’’, comenta o baixista Vinícius. ‘‘Curtimos coisas diferentes, em todas as vertentes existem algo que você pode aproveitar, sempre buscando nossas idéias’’, completa o baterista Guilherme.
A criatividade dos Vermes do Limbo pode ser conferida no dia 22, durante o show de lançamento no Bar Valentino, em Londrina, a partir das 21h30 (couvert a R$ 3,00). O disco é independente e pode ser comprado pelos telefones (43) 327-0216 e 323-6223, ou pelo e-mail [email protected]. O preço é R$ 10,00.

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