Pintura de faixas de pedestres, cobertura de quadras de esportes e reformas de telhados. Sob o olhar dos vereadores e vereadoras mirins eleitos para a legislatura 2019 na Câmara Municipal de Londrina, essas são algumas das demandas mais urgentes para as escolas do município.

Eles assumiram os 'cargos' no dia 09 de fevereiro e ao longo do ano, esses 22 estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio de escolas públicas e particulares da cidade, terão verdadeiras experiências na política através do projeto Câmara Mirim.

Vereadores mirins: um olhar cidadão para problemas que vão desde a estrutura das escolas até as condições de seu entorno
Vereadores mirins: um olhar cidadão para problemas que vão desde a estrutura das escolas até as condições de seu entorno | Foto: Devanir Parra/ CML



A prática acontece este ano em parceria com o Programa Parlamento Jovem do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e já envolveu os pequenos aprendizes em todo o processo de um pleito eleitoral, incluindo o uso de urnas eletrônicas no dia da votação.

Na primeira sessão ordinária da Câmara Mirim, realizada no dia 22 de fevereiro, a pauta não foi uma novidade para esses 'novos' vereadores. Eles se atualizaram com alguns números do Censo da Educação e falaram sobre o ambiente escolar.

"Ano passado, como estávamos em um período experimental, não direcionamos as temáticas e percebemos algumas frustrações porque eram assuntos que eles não dominavam. Nesse ano, pedimos que tragam temas que sejam do dia a dia deles", comenta o presidente da Câmara, vereador Ailton Nantes (PP).

Para Lucas Henrique Favaro Croxate, 10, algumas soluções para as escolas já estão na ponta da língua, especialmente onde estuda, na Escola Municipal Hikoma Udihara (zona norte).

"Minha escola é de madeira e quando chove, o assoalho das salas fica com um cheiro horrível e às vezes, tem goteira. O ideal seria reformar a escola toda", afirma.

Croxate está animado em atuar como vereador mirim e sabe que tem uma grande tarefa pela frente. "São muitas escolas que têm melhorar, pois elas são importantes. Só na minha escola são quase 500 alunos, fora os professores. Se tiver mais condições de estrutura e até um melhor salário para os professores, seria uma beleza", comenta.

Nantes observou que o grupo demonstrou muito interesse na primeira sessão. "Eles querem participar de tais mudanças, de ter respostas para seus questionamentos. Muitos apresentaram questões em termos de estrutura física, não só da escola, mas do entorno também", diz.

Para Izadora Zequim Bressan, 13, a primeira experiência como vereadora mirim foi uma grande surpresa. "Eu esperava muito menos do projeto. Achava que a gente só ia ficar escutando, concordando ou discordando, mas não. A gente participou bastante e tenho certeza que vamos aprender muito", conta a aluna da Escola Educativa.

Incentivo

Ao abrir as portas para os estudantes conhecerem o trabalho dos vereadores no dia a dia e participarem da discussão de assuntos que impactam a sociedade, a Câmara Municipal atua no desenvolvimento da consciência política e no incentivo à formação da cidadania.

"Além disso, a Câmara precisa se aproximar mais da sociedade e vice-versa. E o vereador mirim faz essa ponte, pois leva tudo que acontece aqui para a escola, para os bairros e para as famílias", completa.

Essa aproximação é um dos motivos que levou Maria Luiza Bittencourt Santos, 13, do Colégio Estadual Machado de Assis, a se candidatar ao Câmara Mirim. Ela é suplente e afirma que só irá conseguir ajudar os vereadores titulares, ouvindo a população.

"Hoje em dia, quase ninguém sabe sobre política na minha idade e nós temos muito o que fazer, todos juntos. Vejo muitas pessoas em situação de rua, sem oportunidade de ter uma vida digna. Além disso, temos que lutar para que as crianças possam ser crianças, isto é, para que possam estudar, brincar e ir criando responsabilidade no tempo certo", sustenta.

Segundo o presidente da Câmara, as sugestões dos vereadores e vereadoras mirins poderão se tornar uma ação do executivo, como por exemplo, a questão da implantação de faixa de pedestre. "Na questão de leis, um conselho interno da Câmara irá analisar a viabilidade de cada proposta", diz.

Outras dez sessões ordinárias da Câmara Mirim acontecerão ao longo do ano, sempre na última sexta-feira do mês, das 15h às 17h.


Número de matrículas cresce em Londrina

Na primeira sessão ordinária da Legislatura 2019 da Câmara Mirim, a secretaria municipal de Educação e o NRE (Núcleo Regional de Ensino) apresentam alguns resultados do Censo da Educação 2018. Os números foram divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em janeiro deste ano.

As estatísticas revelam uma queda de 1,3 milhão nas matrículas da educação básica (ensinos infantil, fundamental, médio e EJA - Educação de Jovens e Adultos) em todo o País, entre 2014 e 2018. Mas Londrina apresentou um resultado que vai na contramão. Ao invés de queda, houve um aumento no número de matrículas nos anos iniciais.

Junior Dias, gerente de matrícula e documentação escolar da secretaria municipal de Educação, explica que a partir de 2017, o número de matrículas em Londrina nos ensinos infantil e fundamental I (do 1 ao 5 ano), cresceu em torno de 1%. "Tivemos um aumento significativo em 2018, quando passamos de 37 mil alunos para 43.791, ou seja, quase sete mil matrículas. E até hoje essa crescente se mantém, pois começamos 2019 com 43.100 e o levantamento mais recentes já apontou 43.462", contabiliza.

Dias comenta que algumas respostas que a secretaria está tendo das famílias é a questão da crise econômica. "Muitas crianças estão saindo de escolas particulares e indo para a rede pública, pois muitos pais também estão levando em consideração fatores como a oferta de uniforme escolar, merenda e até projetos complementares ofertados na rede municipal", afirma.

Ainda de acordo com ele, os vereadores e vereadoras mirins lançaram como proposta, meios de identificar os locais onde há um crescimento da procura de vagas para que pudessem viabilizar futuramente novas obras de creches e escolas. "Eles foram participativos e isso ajuda a criar consciência de que eles também são parte do cuidado e crescimento do processo de educação, especialmente no bairro onde moram", diz.

Já no ensino médio, a redução ocorreu em todas as esferas. No País em geral, entre 2014 e 2018, os registros passaram de 8.300.189 para 7.709.929. Em Londrina, também houve redução de 21.739 para 18.140.

"No fundamental II, o acréscimo de 2,66% é pela migração de alunos de escolas particulares por uma questão financeira. No ensino médio, imaginamos um abandono motivado também pela crise. Esses alunos podem ter migrado para o EJA ou deixado de estudar para trabalhar", avalia Horácio Utiamada, coordenador do setor de logística do NRE.

Os dados da EJA (ensino médio) do município mostram um aumento de 2.246 alunos em 2014 para 2.500 em 2018.

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