Karla Matida
Especial para a Folha2
Um domingo no parque cinzento deu início a mais uma maratona de moda em São Paulo. Moda brasileira, com certeza. O Parque do Ibirapuera esteve lotado como é de praxe aos domingos, mas uma turma diferente também invadiu a ‘‘praia’’ dos paulistanos. Até amanhã, o território é todo do universo da moda com a sétima edição do MorumbiFashion Brasil.
Quatro desfiles (é claro) foram as atrações no primeiro dia. E põe atração nisso. Top model internacional e camarim no meio da passarela deram o tom. A começar por Márcia Gimenez que abriu a temporada com sua ‘‘Equilíbrio’’ declarando o branco como a cor do futuro (pode anotar na lista de compras!!!) Branco nas rendas, nas transparências e no jogo das cores.
Sim, as cores vibrantes inspiradas no pintor russo-americano Mark Rothko. Para contrastar com o branco total, amarelo, verde, azul, rosa em detalhes (cintos largos com fechos em velcro) ou na roupa toda, onde o truque é misturar, tipo arco-íris ambulante.
Na sequência, Alexandre Herchcovitch surgiu mais romântico, diriam alguns. Menos agressivo diriam as saudosas da coleção anterior, elogiadíssima. Mas como o que importa é a coleção atual, uma inspiração nipônica pisou a passarela. A modelagem é sempre marcante e o verão 2000 do estilista terá um látex - sempre presente em suas criações - mais maleável e não tão colado à pele. O látex também entra na dança da dobradura e dos recortes de Herchcovitch e resulta em tops e vestidos riquíssimos.
Já Carlos Miele, da M.Officer, trouxe o camarim para o meio da passarela ao executar uma idéia do artista plástico Nelson Leirner. A idéia era desmistificar a moda e para que o público pudesse olhar o que seriam os mitos, no caso os belos modelos, ‘‘que também escovam os dentes de duas a três vezes por dia, como todos nós’’, brincou Leirner.
O voyeurismo deu o tom ao desfile, que como era de se esperar causou estranheza para quem acha que moda é só o glamour da passarela.
E eis que chega a hora da top Kate Moss, que teve momento ‘‘canarinho’’ ao desfilar de verde e amarelo. Se a modelo inglesa era a mais aguardada, o garoto Paulo Ferreira também arrancou suspiros e gritinhos ao abrir a passarela da Ellus (nova promessa de beleza tupiniquim na moda internacional). Jeanswear ao extremo, a grife mostrou bodies (os antigos colants) construídos à base de retalhos. Um patchwork em jeans. Sim, mas o lance é ter lavagens diferenciadas na mesma peça. Mesmo que ela seja minúscula, como os biquínis - tal e qual o das mocinhas da década de 60, qe reciclavam suas calças, que viravam bermudas, shorts e depois biquínis.Primeiro dia de desfiles do MorumbiFashion Brasil aponta para uma temporada colorida
France PresseModelo veste uma roupa da M.Officer num desfile em que voyeurismo deu o tomFrance PresseA badalada top model Kate Moss que desfilou um modelito verde e amarelo: momento ‘‘canarinho’’

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