Arquivo Folha




Programa orienta os veranistas sobre a qualidade das águas e controla também a poluição sonora: tudo para a temporada ser ainda mais agradável

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente está coletando amostras de água em 39 pontos do litoral. É a primeira de uma série de ações para identificar os pontos impróprios para banho ao longo dos 50 quilômetros de praias do Estado e nos rios Nhundiaquara e Marumbi, ambos em Morretes. Desde o último dia 15, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está emitindo boletins semanais sobre a qualidade das águas para banho. Os banhistas serão orientados por esses boletins e por sinalizações locais.
Além da aferição de balneabilidade, o IAP intensificou suas atividades rotineiras de combate à poluição sonora e hídrica, ao controle do desmatamento, a repressão à caça e pesca predatórias, numa área de aproximadamente 1 milhão de hectares, incluindo a Floresta Atlântica, as praias e a faixa de três milhas de mar. O trabalho é coordenado pelo Escritório Regional de Paranaguá, que recebeu o reforço de 30 funcionários, entre técnicos e pessoal administrativo.
Pesca predatóriaA fiscalização não foi intensificada por acaso. Durante a temporada, a fauna marinha é alvo de pesca predatória por parte dos cerca de 2 milhões de turistas que ocupam o litoral do Estado. ‘‘A pesca predatória é a que se realiza em áreas não permitidas ou com equipamentos inadequados’’, explica a biológa Sandra Queiroz, chefe do Departamento de Controle de Recursos Naturais do IAP. ‘‘Muitas espécies tem seu período de reprodução entre dezembro e março e, por isso, não podem ser pescadas’’, acrescenta.
A poluição sonora é outra situação que se agrava muito com a temporada. Por meio de incursões diurnas e noturnas, o IAP fiscalizará a manutenção dos padrões máximos de som - 70 decibéis durante o dia e 60 durante a noite - tendo como alvo, principalmente, os restaurantes, boates, carros de som, trios elétricos, clubes e indústrias. O controle da poluição sonora em casas ficará a cargo da polícia.
EsgotoNa temporada, a geração de esgoto sanitário cresce 400%. A maior parte desse esgoto é lançada, sem qualquer tratamento, em rios, córregos e canais cuja drenagem se faz no sentido do mar. ‘‘É a presença de esgoto sanitário nas águas que as torna impróprias para banhos’’, explica a engenheira Ivonete Coelho da Silva Chaves, do Departamento de Licenciamento e Controle de Poluição do IAP. E sabe-se que há esgoto sanitário nas águas por meio da presença - identificada em amostras - de coliformes fecais.
Os coliformes fecais, por si próprios, não são nocivos à saúde humana. Eles apenas indicam a presença de esgoto sanitário, no qual existem organismos transmissores de doenças importantes como, por exemplo, a febre tifóide, a poliomielite, a gastroenterite, a hepatite infecciosa e até o cólera, entre outras. Isto sem falar que no esgoto sanitário também podem estar presentes os organismos transmissores de doenças chamados oportunistas, responsáveis por dermatoses, conjuntivite, otite e doenças respiratórias.
A sinalização do IAP indicará se as águas são impróprias para banho. Além disso, o instituto intensificará, durante a temporada, como medida de controle, a fiscalização em empreendimentos frequentados por muita gente (edifícios, hotéis, colônias de férias, entre outros), verificando e avaliando a eficiência de suas unidades de tratamento de esgoto sanitário.

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