Verão amazônico atrai turistas a Alter do Chão
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 1998
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Caribe da AmazôniaAlter do Chão fica a 35 quilômetros de Santarém e tem praias de areia fina e água doceSituada a 35 quilômetros de Santarém, no Pará, a pequena vila de Alter do Chão atrai muitos turistas por suas belezas. O encontro do rio Tapajós com o Amazonas dá o toque exuberante à paisagem em Santarém. A região recebe muitos visitantes, inclusive europeus, principalmente quando se realiza a tradicional Festa do Çairé, de 10 a 14 de setembro.
Até 1997, a festa era realizada no mês de julho, mas mudou de data em razão do verão amazônico, que transforma a praia de Alter do Chão num festival de cores, idiomas e muitas atrações. A novidade para este ano é o lançamento de um CD com as músicas do Çairé, manifestação popular de caráter profano e religioso, com seu simbolismo próprio que já dura 300 anos.
DivulgaçãoO verão amazônico transforma a praia da vila num festival de cores, idiomas e muitas atraçõesSegundo o coordenador municipal de Turismo de Santarém, Emanuel Júlio Leite, a festa representava uma saudação dos silvícolas aos portugueses que chegavam à região. A grafia do nome com cedilha provém da língua indígena nheengatu.
O Çairé, símbolo da festa, é um semicírculo de madeira que contém o relato bíblico do dilúvio, com representações para a Arca de Noé, a luz do dia, a abundância e os ruídos das ondas durante os 40 dias do dilúvio. Os outros três semicírculos representam a Santíssima Trindade e as três cruzes do Calvário - Jesus Cristo entre os dois ladrões. A festa teria sido criada pelos frades franciscanos para ajudar no trabalho de catequese dos índios.
Há muito o que ver em Santarém - a segunda maior cidade do Estado do Pará - e na vila de Alter do Chão. As praias de água doce ganharam projeção internacional, e a famosa peixada na areia e a dança ao luar proporcionam momentos inesquecíveis. O rio Tapajós, com suas mornas águas verde-azuladas, até se perde na linha do Horizonte e até parece mar, em certos trechos, pela sua imensidão.
Nos últimos anos, uma média anual de oito mil turistas, entre alemães, franceses e ingleses, desfrutou das delícias do lugar: praias, praias e mais praias, além da boa comida e dos passeios de canoa no imponente Lago Verde.
Representação da Velha Guarda de Alter do Chão, na abertura do Çairé
simbolismo próprio que já dura 300 anosO turismo na região chegou a crescer na proporção de 8% ao ano, até 1996, quando sofreu uma pequena queda. A partir daí, o governo estadual passou a buscar parcerias para melhorar a infra-estrutura turística - como por exemplo a internacionalização do aeroporto de Santarém - e os sinais de reaquecimento já começam a aparecer.
Antigo território dos índios boraris, Alter do Chão tem cerca de 1.500 habitantes que hoje vivem basicamente do turismo e da pesca e integra o roteiro de cruzeiros internacionais que saem da América e percorrem a calha do rio Amazonas.


