DivulgaçãoA famosa peça de Tenessee Williams traz Vera Fisher no papel da ardente e mal amada MaggieVERA EM TETO
DE ZINCO QUENTE
Com Vera Fischer no papel principal e direção de Moacyr Góes ‘‘Gata em Teto de Zinco Quente’’ vai de hoje a domingo no Guairão
Zeca Corrêa Leite
O dramaturgo americano Tennessee Williams deixou para o teatro grandes peças e em todas elas a solidão estava presente, fazendo joguete dos seres humanos. ‘‘Gata em Teto de Zinco Quente’’ faz parte dessa sequência, com um drama que mistura de tudo um pouco: a morte próxima do pai, a ambição pela herança, homossexualismo, alcoolismo. Enfim, intensidades que corroem a alma.
Curitiba verá de hoje a domingo esse embate entre os membros de uma família, tendo nos papéis principais Vera Fischer e Floriano Peixoto, secundados por um elenco de primeira: Ítalo Rossi, Ivone Hoffmann, Betty Erthal, Mário Borges e Marcos Matheus.
Namorados na vida real, Vera e Floriano fazem o par central, Maggie e Brick: ele, um ex-atleta depressivo, entregue à bebida, indiferente aos apelos da bela e tensa mulher que atravessa as noites esperando por suas carícias. Arde em brasa, e ele frio como um iceberg.
O texto escrito há 44 anos deu ao autor o Prêmio Pulitzer, e escandalizou a sociedade paulista no ano seguinte (em 1956), quando foi montada pelo TBC. Nada tão grave que afastasse o público - o espetáculo foi visto na época por 35 mil pessoas. Adaptado para o cinema, com Elizabeth Taylor e Paul Newman, ambos no auge da beleza, transformou-se em filme comovente. A questão da homossexualidade foi trocada pela impotência do marido. Coisa do moralismo americano.
Uma tardeA peça transcorre numa tarde de verão na casa do velho Pollitt, o Papai (Rossi), homem abastado que está condenado por um câncer que o devora. A família reunida comemora seu aniversário. Ali estão, além de Maggie e Brick, outro filho, Gooper (Mário Borges) e a esposa Mae (Betty Erthal). Completa-se o grupo com Mamãe (Ivone Hoffmann, excelente atriz curitibana, há muitos anos radicada no Rio).
O encontro que deveria ser festivo transforma-se numa rede de nervos à mostra. Aos poucos fecha o cerco sobre os personagens, numa tensão asfixiante, misturando interesses variados e contraditórios. Enquanto Gooper e Mae sentem-se atiçados pelo dinheiro que virá com a morte do pai, Brick afoga-se na bebida e no desespero pela morte do seu melhor amigo. Seriam apenas amigos ou haveria um caso de amor ligando um ao outro?
A ambiguidade sexual é mais um elemento no coquetel dessa tarde de aniversário. Nesse meio Maggie é a gata em teto de zinco quente. ‘‘Maggie é, por excelência uma líder, uma vencedora’’, afirma Vera Fischer. ‘‘Ela não usa a força, mas a inteligência, a paixão, a fragilidade, a dualidade das mulheres. É uma personagem sempre atual e atemporal’’, define.
O diretor Moacyr Góes, que esteve nos festivais de teatro de Curitiba, em anos passados, vem com uma nova estética. ‘‘Deixei de lado qualquer gesto mais eloquente. Os silêncios da peça, que vem na contramão da estética videoclipe, são os que mais encantam nesta encenação’’.
Ele disse para o Jornal do Brasil, às vésperas da estréia da montagem no Rio, que ‘‘jamais pegaria o texto do Tennessee na estante e pensaria em uma atriz para protagonizá-lo. Só estou dirigindo este espetáculo porque não há outra Maggie que não a Vera’’. Cabe ao público conferir se tamanha entrega valeu um espetáculo à altura.
‘‘Gata em Teto de Zinco Quente’’, de Tennessee Williams, direção de Moacyr Góes. Com Vera Fischer, Ítalo Rossi, Floriano Peixoto, Ivone Hoffmann, Betty Erthal, Mário Borges, Marcos Matheus. Sexta e sábado, às 21 horas. Domingo, às 19 horas. Ingressos: R$ 30,00 (platéia), R$ 20,00 (primeiro balcão), R$ 15,00 (segundo balcão).

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