Veneza revitaliza bienal
Evento que será aberto hoje para a imprensa
conta com os brasileiros Iran do Espírito Santo,
Nelson Leirner e Maurício Dias
Agência Folha
Antes mesmo da abertura, hoje, para convidados, da 48ª edição da Bienal de Veneza, já é possível tirar algumas conclusões. A Bienal está maior, mais concentrada e aberta. Este é o resultado de algumas iniciativas da organização do evento para torná-lo atraente, mesmo aos 105 anos de idade e ainda calcado em idéias antigas, como a representação fixa de países em pavilhões nacionais.
Na edição passada, a Bienal concentrava-se basicamente em dois espaços (Giardini e Corderie), mais alguns pontos alternativos espalhados pela cidade. Hoje, ocupa três novos: Gaggiandre, Artiglierie e Tese All’Arsenale, praticamente duplicando seu espaço expositivo.
Essas iniciativas visam colocar o evento novamente como formador de opinião diante dos avanços da Documenta de Kassel, o InSite Santa Fé e as bienais de Johannesburgo, Istambul e São Paulo. Hoje acontece vernissages para imprensa, artistas e convidados. A abertura oficial do evento é no sábado, a partir das 15 horas. O público terá acesso ao evento de domingo, dia 13, até 7 de novembro.
O Brasil está presente com obras de Iran do Espírito Santo e Nelson Leirner, no pavilhão nacional, e de Maurício Dias - que faz dupla com Riedweg. Localizado na primeira das duas salas de um pavilhão brasileiro renovado, Iran apresenta três trabalhos distintos, realizando assim uma conveniente microrretrospectiva de sua carreira.
Em uma parede de 14 metros quadrados, pintada de preto, criou o desenho ‘‘Secção - A Igualdade’’, usando uma técnica chamada scrafitto, que consiste na raspagem parcial da tinta negra para que transpareça o fundo branco. Sobre o chão, criou uma instalação com uma série de moedas gigantes em aço inoxidável, cobre e latão reproduzidas a partir das escalas de moedas
originais. Na parede oposta à do desenho, dispôs cinco novos trabalhos da série ‘‘Restless’’, confeccionada em vidro opaco, transparente e espelhado.
Nelson Leirner comparece com três instalações. Na primeira, manipulou imagens da Monalisa, em que elabora uma crítica à desmistificação da arte pelo consumo. Na segunda, ‘‘Construtivismo Rural’’, criou uma série de quadros com fragmentos geométricos de couro de vaca (uma crítica bem-humorada à rigidez do construtivismo geométrico brasileiro). As duas são ligadas por ‘‘O Desfile’’, remontagem de instalação de cerca de 2 mil imagens históricas, sacras e do cotidiano infantil. Os dois foram selecionados por Ivo Mesquita, curador da próxima Bienal de São Paulo: ‘‘Eles oferecem uma opção para o visitante estrangeiro se aproximar da arte brasileira por meio de uma alternativa à opinião, que está se consolidando, de que tudo no Brasil sai de Hélio Oiticica ou de Lygia Clark’’, comenta.
A dupla Dias-Riedweg, especialista em arte pública e trabalhos de conotação social, comparece com a instalação em vídeo ‘‘Tutti Veneziani’’, em que observa os hábitos de 35 habitantes de Veneza para analisar sua relação com as particularidades da cidade.

mockup