Veneza celebra Fellini
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Delírios e folia. O carnaval veneziano, que começou dia 21, tem animação até terça-feira por conta do vasto painel cinematográfico construído por Federico Fellini ao longo de mais de duas dezenas de filmes durante 40 anos de carreira. Saltimbancos, maltrapilhos, máscaras faustosas, espetáculos de praça, personagens absurdos apanhados no limite entre sonho e realidade: este circo de fantasia, que Fellini dirigiu como ninguém, está espalhado pelas vielas, becos e pontes de Veneza nesses dias de carnaval
Desfiles, bailes e festas públicas e privadas estão sendo realizadas em homenagem a Giacomo Casanova, a outros protagonistas da galeria felliniana e aos fantásticos devaneios barrocos do cineasta de ''A Doce Vida'' e ''Amarcord''. Autor estética e afetivamente sempre muito próximo das cores e emoções itinerantes do circo, das máscaras e do exagero, Fellini dizia que ''o palhaço encarna a índole da criatura fantástica, aquela que exprime o aspecto irracional da natureza humana. É um espelho no qual o homem se revê em imagem grotesca, disforme, ridícula''. Não há, portanto, melhor ocasião para recordar o mestre de Rimini.
Com os termômetros nesta época oscilando entre menos 2 e 5 graus positivos, turistas e foliões venezianos têm encontro diário com sheiks e palhaços, personagens de ''La Strada'' e ''Oito e Meio''. Um Festival dos Artistas de Rua, que se repete na cidade desde 1997 durante todos os finais de semana, de janeiro e fevereiro, ganhou este ano maior importância porque estreitamente relacionado ao tema do carnaval. Assim, até terça-feira as ruas estão abarrotadas de saltimbancos e engolidores de fogo, vultos e figuras que Fellini sempre fez questão de abrigar nos sets de filmagem.


