'Venecia', uma abordagem sobre os sonhos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de junho de 2000
Joel Gehler De Londrina Especial para a Folha2 
O espetáculo argentino Venecia, que hoje faz sua última apresentação no Filo, utiliza o poder do sonho para transformar uma realidade muito pobre e triste, em um ambiente riquíssimo, tanto do ponto de vista material quanto espiritual. Contando a história de quatro colegas e um cliente de uma velha prostituta, que forjam uma viagem imaginária para levá-la até Veneza, a peça faz o público embarcar na emoção, rir e chorar de uma situação que seria engraçada não fosse trágica.
As atrizes Adriana Aizenberg, Anahí Martella e Laura Espínola, qualificam o espetáculo de realidade fantástica, mas facilmente compreensível para qualquer tipo de público. O que, segundo elas, explica o sucesso da peça que está em cartaz há três anos em Buenos Aires, sempre com casa lotada. Outros pontos de identidade imediata do público, são a concretização de um sonho, a fuga da realidade através da imaginação e a imensa necessidade de sonhar que as pessoas têm hoje em dia. Completam a receita, uma forte presença de sentimentos como amor, solidariedade e agradecimento.
Não há como não se emocionar ao se tomar pé da situação. A matrona quer ir a Veneza reencontrar seu grande amor de juventude, mas não tem dinheiro. As colegas decidem satisfazer o último desejo da moribunda, empreendendo uma viagem imaginária, mas nada sabem de Veneza, do mar, do significado do amor. Para piorar, o prostíbulo onde se encontram é paupérrimo, não há sequer elementos suficientes para estimular a fantasia. Tudo isso leva à cumplicidade da platéia, que se identifica com uma situação onde o espírito humano se sobrepõe ao intelecto.
A diretora Helena Tritek e a cenógrafa Cristina Villamor buscaram juntas construir uma atmosfera capaz de fazer o público acompanhar o drama pela visualização e sonoplastia. A cenografia compõe ao mesmo tempo o ambiente de pobreza em que se encontram e fornece elementos para recompor cada passo da viagem. A música especialmente composta para o espetáculo e efeitos sonoros como o som das ondas do mar e da turbina do avião, despertam a imaginação com que a platéia deve preencher os espaços vazios de uma realidade imperfeita e viver a fantasia.
Fazem parte do elenco de Venecia a assistente de direção Gabriela Romeo, o músico Gonzalo Demaria e os atores Marta Paccamici, Gonzalo Manuel Morales e Alejandro Viola. A apresentação de hoje inicia às 19 horas, no teatro Zaqueu de Melo.


