Vendas de livros registram queda
Editores preparam-se para enfrentar uma retração do mercado editorial. Os números ainda não estão fechados, mas a expectativa é que, em média, haja uma queda de 25% no volume de vendas, comparando o primeiro semestre de 98 com o mesmo período de 97.
Os números variam de editora para editora, mas é unânime a sensação de que os negócios não vão mais tão bem quanto em 1995 - ano em que houve um grande salto no mercado editorial. Os editores também são unânimes em apontar o motivo para a retração do mercado: a crise econômica. Há uma queda indiscutível em relação ao ano passado, o que faz com que os editores estejam mais cautelosos, diz Roberto Feith, presidente da editora Objetiva.
A cautela dos editores se manifesta, por exemplo, na redução da compra de direitos autorais de novos livros - não importa o gênero, já que a queda nas vendas atinge todos os segmentos. Estávamos comprando demais e agora estamos reduzindo, sendo mais cautelosos e mais seletivos. Antes arriscávamos mais, afirma Sérgio Machado, diretor-presidente da editora Record.
A decisão de comprar menos atinge também outras duas editoras ligadas à Record - a Bertrand-Brasil e a Civilização Brasileira, adquiridas pela editora de Machado em dezembro de 96. Comprar menos é uma das estratégias traçadas pelas editoras para tentar uma recuperação. Outra modificação que vem sendo percebida no mercado editorial é no aspecto comercial. Para conseguir lançar livros de autores desconhecidos, as editoras têm oferecido aos livreiros aumento nos prazos de pagamento e, em alguns casos, assumido até mesmo o compromisso de receber de volta livros não vendidos. Há dificuldade para colocar autores desconhecidos nas livrarias. Para conseguir, os editores precisam assumir mais os riscos do estoque, diz Machado. Os autores conhecidos vendem bem, mas há cuidados exagerados dos livreiros com os novos autores. Precisamos fazer um trabalho cuidadoso, com condições especiais para os livreiros, diz Paulo Rocco, da editora Rocco.
Feith diz que, além da cautela na compra de novos títulos, há também maior cuidado com relação aos valores pagos. Ninguém está querendo gastar muito para comprar novos títulos, afirma. A não ser, é claro, um título com grandes chances de se transformar em um best seller. É o caso da aposta da Rocco em Love and Survival, do médico Dean Ornish - o cardiologista do presidente Bill Clinton, que afirma que uma vida feliz reduz os riscos de doenças cardíacas. Para publicar o título no Brasil, a Rocco pagou um adiantamento de US$ 50 mil. Os agentes literários têm noção exata de quanto podem conseguir com a venda de best sellers. Há uma estabilização maior do mercado de venda de direitos autorais, mas não vi nenhum agente oferecendo desconto. Estou esperando sentado, afirma Rocco.
Feith diz que não irá reduzir sua programação para 98 - que prevê o lançamento de 60 títulos - pois os contratos já estavam fechados. Mas, como minha atuação agora é mais conservadora, o impacto será sentido em 99, diz.
Machado afirma que, apesar da queda sentida pelos editores nas vendas do primeiro semestre, há expectativa de uma ligeira recuperação no segundo semestre. A recuperação, no entanto, não fará com que o setor tenha algum crescimento em relação a 97. Talvez não consigamos repetir o desempenho de 97, que já não foi o melhor ano em termos de crescimento de mercado. Desde 94, vínhamos crescendo, o que não deve acontecer agora, diz.
De acordo com o diretor-presidente da Record, a mudança da data da Bienal do Livro de agosto para abril pode prejudicar ainda mais o setor. Julho sempre foi um mês fraco, e as bienais em agosto sempre marcaram o início da recuperação. Agora perdemos o chamariz do segundo semestre. Por isso, fui contra a mudança - conclui.ReproduçãoEste ano, a Bienal do Livro foi antecipada para abril o que, segundo os editores, pode prejudicar ainda mais o setorCristina Grillo
Agência Folha





