Venceu o preconceito no começo da carreira
Comecei o jornalismo incentivada pelo meu pai, escritor e jornalista desde os 12 anos. Por ter sido uma aluna estudiosa, com excelentes notas, principalmente em português, ele acreditou que um dia eu poderia me dedicar às letras.
Assim Juril Carnasciali, que todos os domingos assina a coluna O que se Passa na Sociedade, no jornal Gazeta do Povo - empresa de cuja fundação seu pai participou - conta como foi que ingressou na carreira. A natural tendência literária colaborou, e muito, para sua vida tomasse o rumo que tomou. O apoio e a sensibilidade paterna foram fundamentais
Porém, nem tudo seguiu o ritmo natural dos acontecimentos. Nos idos dos anos 40 - mais exatamente fevereiro de 1949, quando tudo teve início - os tempos eram outros, o preconceito aviltante e para poder trabalhar Juril assinava suas matérias sob pseudônimo: Dulce Mary. Ou D.M., as iniciais do nome fantasia.
Foi na revista Guaíra, também fundada e dirigida por seu pai, Oscar Joseph De Plácido e Silva, que se deu o batismo na profissão. Guaíra tinha circulação nacional, gozava de prestígio e Juril foi incumbida de ser a redatora de assuntos femininos. Ou seja, escrevia crônicas, contos, dava conselhos e além disso era revisora.
Passei a ser revisora de todas as obras publicadas pela editora, o que me deu a grata oportunidade de conhecer escritores de renome do Estado e do País, lembra. Apesar de sua importância, a revista durou sete anos. Ao fechar esse ciclo, a jornalista passou a assinar a coluna O que se Passa na Sociedade, no jornal onde está há 43 anos.
A família curitibana produz notícias e eu escrevo, disse ela num perfil publicado pela Folha, em 1996. Apesar dos compromissos assumidos, da insistência dos convites, dos telefonemas diários e constantes, a vida não se resume a eventos sociais.
Juril foi a primeira mulher a ingressar no Centro de Letras do Paraná e há quase 40 anos fundou o primeiro serviço de hidratação no Paraná - José Rubens Lima -, que funciona no setor de Pediatria do Hospital de Clínicas, da qual é presidente. Participa de inúmeras entidades beneficentes.
Se você não conhece minha vida, é porque não é de Curitiba. Aqui sou muito conhecida, disse na entrevista da Folha, três anos atrás. A homenagem prestada a ela esta semana, veio somar-se a esta certeza.





