O pa­no de fun­do de ‘‘La­do a ­Lado’’, ­atual no­ve­la das ­seis, re­me­te a um mo­men­to de gran­des trans­for­ma­ções no Bra­sil. No iní­cio do sé­cu­lo 20, o ­país ain­da se adap­ta­va ao fim da mo­nar­quia e, prin­ci­pal­men­te, ao fim da es­cra­vi­dão. É um te­ma iné­di­to em no­ve­las e que des­per­tou o in­te­res­se de Lá­za­ro Ra­mos, um dos ato­res ­mais pre­mia­dos de sua ge­ra­ção e in­tér­pre­te do bar­bei­ro Zé Ma­ria.
  Pa­ra Lá­za­ro, a no­ve­la abor­da a ori­gem da se­gre­ga­ção do ne­gro li­vre na so­cie­da­de bra­si­lei­ra, al­go que so­freu acen­tua­da di­mi­nui­ção nos úl­ti­mos ­anos, mas que ain­da se faz pre­sen­te tan­to na fic­ção quan­to na rea­li­da­de. ‘‘Es­pe­ro que a tra­ma pos­sa le­var as pes­soas a uma re­fle­xão. A te­le­vi­são de­mo­rou mui­to pa­ra co­lo­car ato­res ne­gros em per­so­na­gens de des­ta­que. O pre­con­cei­to ain­da exis­te, mas o es­te­reó­ti­po do ne­gro que só faz pa­pel de em­pre­ga­do es­tá em xe­que. É uma mu­dan­ça cul­tu­ral e sím­bo­lo do Bra­sil ­atual’’, ana­li­sa o ­ator, um dos pro­ta­go­nis­tas da tra­ma, on­de ­atua ao la­do de Ca­mi­la Pi­tan­ga.
  Lá­za­ro, Ca­mi­la e ­mais al­guns pou­cos ato­res ne­gros da no­va ge­ra­ção, co­mo ­Taís Araú­jo, She­ron Me­ne­zes e Ra­fael Zu­lu, são os por­ta-vo­zes des­sa vi­são ­mais am­pla so­bre o ne­gro nas te­le­no­ve­las ­atuais. Al­go bem di­fe­ren­te do que acon­te­cia nos pri­mór­dios da te­le­dra­ma­tur­gia.

● Adotada no Brasil desde o período colonial até o final do Império (1888), foi responsável pela vinda forçada de aproximadamente quatro milhões de escravos do continente africano

● Em novelas de época, intérpretes negros só apareciam como escravos, e em tramas contemporâneas, eram limitados a darem vida a empregados, copeiros, seguranças e motoristas


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