Vencendo as fronteiras
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 1999
Marcos Zanatta 
Os shoppings atacadistas de confecções de Maringá e Cianorte, que já atraem compradores de todo o País, agora querem ampliar o mercado atendendo a lojistas do Paraguai e Argentina, fortalecendo o turismo de compras na região. O atacado de confencções se tornou profissional, trabalha com produtos de qualidade e é reconhecido, o que permite uma aposta das indústrias no mercado externo. O fortalecimento do setor, garantem os empresários, veio com os centros de atendimento. A idéia era criar shoppings reunindo lojas das fábricas, oferecendo mais comodidade aos compradores, que antes tinham que se deslocar por vários pontos da cidade para visitar todos os fornecedores.
A iniciativa deu certo e ganhou espaço. Apenas Maringá chegou a ter oito shoppings de vestuário. O excesso acabou punindo os aventureiros e de certa forma selecionando as indústrias com vocação. Metade dos centros atacadistas de Maringá fecharam, e hoje os quatro shoppings concentram quase 400 lojas que buscam na qualidade o diferencial para atrair o comprista. Hoje nossa divulgação não é para mostrar a confecção produzida aqui, mas a moda feita em Maringá, diz o empresário Valdir Scalon, diretor do Sindicato das Indústrias de Confecções da cidade.
O primeiro shopping atacadista de confecções de Maringá, o Vest Sul, partiu da iniciativa de um grupo de empresário do setor, há cerca de nove anos. Do galpão alugado no parque de exposições, o grupo teve certeza que era hora de investir. Os industriais se uniram a outros interessados e construíram um verdadeiro shopping, com 110 lojas, acabamento de alto padrão, bem localizado, com praça de alimentação e até uma pousada. Os compradores e guias de cidades mais distantes fazem reserva, chegam no final da tarde, dormem no local e depois do café da manhã fazem as compras.
O sucesso da confecção de Maringá, diz o gerente administrativo do Vest Sul, Alexandre Vivan, se deve à qualidade das peças produzidas na cidade. Muitas indústrias de Maringá trabalham em facção com as maiores grifes do país, e possuem tecnologia para oferecer peças de alto padrão, garante ele. Os clientes da Vest Sul são principalmente de Estados vizinhos, mas o shopping vende para todo o País, desde sacoleiros até magazines e lojas de alto padrão. Para atender aos clientes trouxemos uma indústria de malhas de Santa Catarina, conta Vivan.
O gerente do shopping Maringá Vest, Paulo Cesar Gomes, garante que a confecção da cidade é a melhor do País. Hoje o mercado está muito seletivo, e só vende quem oferece qualidade, e nós atraímos compradores de todo o País, garante. O Maringá Vest tem apenas três anos, 56 lojas e apesar de entrar em atividade no período de turbulência para o setor de vestuário, conseguiu sobreviver. A maior parte das lojas são de indústrias, que só trabalham com confecção de qualidade diz.
O Shopping Vest Mercosul, o maior de Maringá com 160 lojas, é também o mais completo. Além de confecções os compradores encontram calçados, acessórios e bijuterias. Todas as lojas trabalham com pronta entrega, o que acaba agradando muito ao comprador, que vem de todo o País, revela a gerente administrativa do Mercosul, Marina Amaro. Ela conta que a pousada, com capacidade para 62 pessoas, está sempre lotada, e o shopping está ampliando para atender a pelo menos mais 25 compradores.
O presidente do Conselho do Jovem Empresário de Maringá, Luiz Fernando Ferraz, que tem uma loja atacadista de confecções no centro da cidade, aposta no turismo de compras. Ele atua no mercado com o Atacado Bandeirantes desde 1974, antes dos shoppings de confecções, e construiu uma loja de 4 mil metros quadrados. Nossos clientes estão em um raio de 500 quilômetros de Maringá, mas a meta é ampliar esse raio sempre, prega ele.
O setor aposta também em uma melhora nas vendas com as barreiras criadas para a importação. O presidente do sindicato em Maringá, Valdir Scalon, lembra que o setor tem enfrentado dificuldade em competir com o produto importado. Quando a economia estabilizar a expectativa é de melhora nas vendas, mas não temos como prever isso ainda, diz ele. Scalon revela que junto com outras entidades, o setor vem realizando estudos para ampliar o mercado, e entrar nos países vizinhos. Já vendemos para todo o Brasil, queremos agora vender mais no mercado interno e atrair os países próximos, diz.


