Vencedor do Oscar de animação abre 3ª edição do Anima Múndi em SP
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segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 20 (AE) - Começa amanhã (21) a rolar para o público a festa do cinema de animação. O Anima Múndi, em sua sétima edição carioca e terceira paulistana, traz nada menos do que 388 trabalhos de 32 países distintos. Só do Brasil são 72 títulos, feitos com as mais diferentes técnicas, que vão do tradicional desenho animado à computação gráfica. Neste ano, a mostra será exibida em duas salas da cidade: Museu da Imagem e do Som (MIS) e Espaço Unibanco de Cinema, em São Paulo. Além das exibições, haverá também bate-papos com alguns dos convidados, como Eric Darnell, criador de "FormiguinhaZ", que estará amanhã no MIS.
Nessa que é considerada a técnica must da era cibernética, a computação gráfica, chega, logo no primeiro dia, o filé mignon da mostra: "Bunny", de Chris Wedge, vencedor do Oscar de animação deste ano. Ele faz parte do módulo Computação Gráfica 1, que será apresentado no MIS, às 22h30. A duração completa do programa é de pouco mais de 55 minutos. "Bunny" é uma atração à parte. Uma pequena jóia, de curtos 715, nos quais Wedge apresenta inspirada reflexão sobre a finitude da vida. Parece, no começo, apenas mais um desenho engraçado, com a ratinha idosa sendo atormentada por uma abelha. No entanto, como o espectador vai descobrir, a persistência da abelhinha encobre outro significado.
À parte a beleza visual, "Bunny" é uma maneira prática de demonstrar aquilo que é óbvio, mas de vez em quando precisa ser repetido: qualidade não depende da técnica usada. Associa-se com frequência técnica de ponta a produto final frio, sem alma. Não necessariamente. Tudo depende de quem a usa. Da mesma forma que um sujeito pode ser de vanguarda usando lápis e papel, outro pode optar pelo conservadorismo a bordo de um Mac incrementado. No caso de "Bunny" não se trata de obra nem progressiva nem regressiva. Wedge simplesmente usou a matéria-prima de todo artista, que é a sua sensibilidade, e a traduziu com a técnica de ponta que tinha à mão.
No mesmo módulo, vale prestar atenção especial a "Bingo", do canadense Chris Landreth, trabalho inquietante sobre o velho tema da mentira que de tantas vezes repetida se transforma em verdade. Outro filme que promete, ainda na modalidade computação gráfica, é "M.C. Escher: Sky and Water", do canadense Marcy Page. Este é sobre a obra do artista plástico holandês Escher, um mestre do paradoxo visual. No filme, suas obras ganham vida em técnica mista, misturando animação tradicional e computação gráfica. Especiais - O país homenageado por esta edição do Anima Múndi é a Estônia, com vários trabalhos que mantêm um eixo comum, uma vaga inspiração tirada do surrealismo. "Bermuda" é um deles. Conta a história fantástica da sereia que vive num oceano seco e é alimentada por um marinheiro. Tudo segue em equilíbrio até a chegada de um flautista, que vai acabar com a paz da dupla.
Segundo o organizador da mostra, César Coelho, outro motivo de alegria é o crescimento da participação brasileira, três vezes maior este ano do que em versões anteriores. Um dos destaques é "Vidas Secas", reinterpretação do universo nordestino com sua penúria e sua poesia. Serviço - Anima Múndi. Amanhã (21), no Auditório, às 15, 17, 19, 21 h e 22h30; na Sala Sony, às 14, 16, 18, 20 e 22 h. Também haverá palestras de Joanna Quinn, Eric Darnell, Jacques Rémy e Wilson Lazaretti. Grátis. MIS. Avenida Europa, 158, tel. 852-9197. Até domingo.


