Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) está interferindo pessoalmente nas negociações para tentar trazer a mostra Tesouros da China e Guerreiros do Xi'an para o Paraná. O governo do Estado ainda aposta na possibilidade da mostra ser instalada no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Através da assessoria de imprensa, o governador informou que está negociando diretamente com o governo da China e não mais com a Brasil Connects, empresa responsável por trazer a mostra ao Brasil. Ainda de acordo com a assessoria do governo, Requião tem até o próximo dia 20 para criar as condições necessárias para garantir a exposição.
A mostra chinesa ficou 109 dias em São Paulo e recebeu 817 mil visitantes, um recorde nacional de público. Atualmente, a exposição está sendo desmontada e, segundo a Brasil Connects, não existe mais possibilidade de ela vir ao Paraná, por causa de compromissos já agendados na França e Estados Unidos. A coleção é composta por 11 guerreiros e dois cavalos, esculpidos há mais de 2 mil anos. Além de Os Guerreiros de Xi'An, os Tesouros da Cidade Proibida reúnem 150 objetos emprestados do Museu do Palácio Imperial.
Para trazer as relíquias para o Brasil, a Brasil Connects teve apoio da Lei Rouanet, lei federal de incentivo cultural. Através da lei, a empresa Brasil Connects conseguiu captar R$ 1,5 milhão do projeto total orçado em R$ 3,2 milhões, segundo dados do Ministério da Cultura. A empresa divulgou que só o seguro da mostra custou perto de R$ 1,8 milhão.
Descartando as negociações com a Brasil Connects, é possível que o governo do Paraná tenha que renovar esse seguro. Na semana passada, a Folha entrou em contato com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) para confirmar rumores de que a empresa iria transferir os recursos investidos no Programa Conta Cultura para patrocinar a mostra chinesa. O Conta Cultura era um programa do governo Jaime Lerner (PFL) e em seus três anos de funcionamento recebeu investimentos de cerca de R$ 2,5 milhões por ano da Copel. Segundo Aparecido Massi, responsável pelo gerenciamento dos projetos de leis de incentivo cultural na empresa, não há nenhum projeto em andamento na Copel envolvendo a mostra chinesa.
Caso a mostra não venha para o Paraná, os interessados podem continuar se programando para ter em São Paulo um ponto de encontro para exposições expressivas. Devolvendo a exposição para China, por exemplo, a Brasil Connects já tem mais duas grandes mostras na agenda. A próxima, que inaugura também na Oca, no Ibirapuera, traz o acervo da Tate Gallery. A outra, ainda sem data definida, é a mostra de artes visuais da Bienal de Veneza. A exposição Pittura/Painting vai mostrar trabalhos de 50 artistas e traçar um painel da pintura contemporânea. Enquanto isso, o pomposo Museu Oscar Niemeyer continua sem uma agenda definida.

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