Nelson Sato
De Londrina
O Free Jazz Festival desse ano vai homenagear o passado do jazz, acolher a nova geração do blues e reforçar a vertente eletrônica. A 14ª edição do evento começa amanhã no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e leva as mesmas atrações na sexta-feira para o Jockey Club de São Paulo.
A exemplo das últimas edições, na capital paulista os músicos estarão espalhados por três palcos montados pelos organizadores: Main Stage, New Directions e Club. Os preços dos ingressos variam entre R$ 45,00 e R$ 70,00. Na TV, o canal Multishow anuncia a transmissão ao vivo dos shows a partir de 21 horas, incluindo entrevistas e flashes de bastidores.
Entre as principais atrações deste ano figuram o conjunto Duke Ellington’s Cotton Club Revue, o trompetista Nicholas Payton, o veterano pianista George Shearing, o saxofonista Joshua Redman, o menino-prodígio Jonny Lang e o duo inglês Orbital.
O jovem pianista Jacky Terrason, outro destaque da escalação, abre o festival acompanhado de um quinteto que inclui um flautista e um gaitista na formação. Já tocou piano para algumas das cantoras mais respeitáveis do meio como Betty Carter, Dee Dee Bridgewater, Diane Reeves e Cassandra Wilson. Depois de gravar discos repletos de clássicos dos anos 30 e 40, decidiu privilegiar repertório próprio no novo álbum What It Is.
No CD, duas versões fazem a exceção: ‘‘Bolero’’, de Ravel, e ‘‘Money’’, da banda de rock Pink Floyd. Terrason é imprevisível. Já deixou críticos especializados de cabelos em pé com suas reinterpretações incomuns para temas manjados. A noite de abertura traz ainda Marc Ribot y Los Cubanos Postizos, Eagle-Eye Cherry, Finley Quaye, Roy-Haynes Group, Leandro Braga e MV Bill & The Roots.
Esta última parceria celebra o hip hop na programação do Free Jazz. The Roots, ainda desconhecida no Brasil, já foi saudada como a maior banda do gênero no mundo. Também com apelo eclético, o elenco de sexta no Rio e sábado em São Paulo deve ser responsável pela maior bilheteria do festival tirando os clubbers das raves e casas noturnas.
O destaque é o duo inglês Orbital, um dos veteranos da cena eletrônica com cinco álbuns e uma série de singles e EPS gravados em dez anos de carreira. Há poucos meses lançaram o CD Middle of Nowhere. Recentemente fizeram uma turnê pelos Estados Unidos com a também dupla The Crystal Method, com a qual dividirá as duas noites brasileiras junto com Darren Emerson.
Crystal Method segue a vertente big beat fundindo batidas quebradas e guitarras. Quando estreou no mercado fonográfico há dois anos com o CD Vegas, foi comparada aos Chemical Brothers. Darrem Emerson, por sua vez, é o líder do aclamado Underworld, um dos expoentes do techno inglês.
Para quem não cair na pista, as opções do dia serão a banda americana Cake, o grupo carioca Pedro Luís & A Parede, o Trio Madeira Brasil e o George Shearing Quintet. Única atração jazzística do programa, o veterano pianista George Shearing, 80 anos, inovou o conceito de quinteto ao reunir vibrafone, guitarra, piano, contrabaixo e bateria.
Já compôs para Miles Davis, Bud Powell e Bill Evans. Cego de nascença, sempre oscilou entre o jazz de qualidade e gravações comerciais. Fechando o Festival, os organizadores convidaram um elenco especial para atender aos puristas, com direito a homenagens ao passado do jazz e à música popular americana.
O saxofonista tenor Joshua Redman, 30 anos, um dos mais populares da nova geração, sobe ao palco para prestar o tributo ‘‘Classic American Songs’’, interpretando standards dos irmãos Gershwin, Cole Porter, Irving Berlin e outros notáveis. Logo a seguir, o trompetista norte-americano Nicholas Payton comanda um concerto (antecipado em um ano, diga-se) em comemoração ao centenário de Louis Armstrong (1901-1971), seu conterrâneo de New Orleans.
No palco, terá a companhia de uma banda de 12 músicos, que inclui sete sopros e seção rítmica. Esta será sua segunda participação no Free Jazz. Esteve na edição de 96, um ano antes de ganhar um Grammy pela composição ‘‘Stardust’’. O compositor Duke Ellington é outro homenageado nesta noite de gala. A sessão fica por conta do conjunto liderado pelo baterista Louie Bellson, que reagrupou 15 ex-súditos do mestre e do filho Mercer Ellington.
O baterista, um dos maiores da era do swing, terá a seu lado nomes como Clark Terry no trompete, Art Baron no trombone e Norris Turney no sax-alto. O grupo de sapateado Willian Brothers Tap Dancers também marcará presença no tributo. Outro baterista de renome a dar as caras no sábado no Rio e domingo em São Paulo é Billy Higgins, que já tocou com Ornette Coleman.
Ele chega ao Brasil para dividir as atenções da platéia com o guitarrista John Abercrombie no quarteto do saxofonista Charles Lloyd. Já para o público interessado nos sons da sempre inquieta vanguarda novaiorquina, o elenco de encerramento traz o trio Medeski, Martin & Wood, que mistura jazz, funk e eletrônica.
A Vittor Santos Orquestra representa o Brasil na noitada final. Os seguidores do blues, por sua vez, serão contemplados com o show do cantor e guitarrista Jonny Lang. O menino, de 18 anos, tem três discos-solo lançados e já abriu uma turnê para Buddy Guy, além de ter tocado com Jeff Beck. Foi apontado pela revista Guitar como o melhor guitarrista dos Estados Unidos.
Ainda com espinhas na cara, usa tênis, camiseta e jeans. É capaz de transformar o MAM e o Jockey Club em congestionados pátios de colégios de segundo grau. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo tel. 0800-21-2223.A 14ª edição do Free Jazz Festival começa amanhã no Rio e sexta em São Paulo, o canal Multishow transmite os shows
ReproduçãoJonny Lang: guitarrista de 18 anos já tocou com Jeff Beck e Buddy GuyReproduçãoNicholas Payton vai homenagear Louis ArmstrongReproduçãoOrbital: expoente da vertente eletrônica no Free Jazz

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