Duas referências teimam em me divertir (já que os filmes em questão não conseguem) quando chegam ao circuito exibidor estas aventuras de velocidade sobre quatro rodas com recheio de alta octanagem de violência. E ambas se referem diretamente a Vin Diesel, que reaparece agora com a turma do primeiro filme (2001) nesta quarta rodada ''Fast and Furious'', onde novamente ele divide o estrelato (???) com Paul Walker, a brasileira Jordana Brewster e Michele Rodriguez - o mesmo quarteto responsável pelos mais de 250 milhões de dólares que o filme de abertura faturou mundo afora (Veja a programação de cinema na página 2).
Primeiro: com este sobrenome, ele é o maior auto-marketing temático que um filme como este poderia desejar. Segundo: de peruca, seria a cara do nosso Tom Cavalcante, mas sem um pingo sequer do bom humor do comediante. Ou vice-versa, o Tom de cabeça raspada seria um Vin Diesel sem anabolizantes...
No caso de Diesel - o ator, não o combustível, o que mais pode fazer um ator de ação com uma carreira em vias de despencar ? Dar meia volta e agarrar com músculos e dentes a saga que o fez famoso. E aqui está ele novamente como o ex-presidiário Dom Toretto, abrindo ''Velozes e Furiosos 4'' com uma impressionante sequência adrenalínica que, diga-se com inteira justiça a favor do espetáculo de ação, é de fato um prodígio de técnica e virtuosismo. De fato, é conveniente assisti-la e se retirar da sala.
Nesta longa sucessão de cenas de abertura na República Dominicana, Toretto e Letty (Michelle Rodriguez) perseguem caminhões de petróleo. É tudo muito intenso e bem sucedido. Mas quando termina, começa de fato o filme e a diversão acaba: Letty é assassinada, Dom volta aos EUA para pegar o traficante de drogas responsável pela morte, reaparece o agente de policia Brian O'Conner (Paul Walker), os dois se associam e partem para a caçada justiceira.
Tudo o que o diretor Justin Lin faz é muito impostado, à base de pífia solenidade, e a a ação é sempre confusa. As interpretações parecem saídas do jardim de infância (saudades de Stallone & Schwarzenegger). É como se não houvesse nenhum interesse em urdir melhor uma trama e alinhavar uma narrativa pouca coisa mais consistente. O filme, aliás, tem o mesmo sabor de um hambúrguer desses de palha seca encontrados por aí, e bem poderia ser rebatizado como ''Fastfurious'': rápido, insosso e indigesto.

mockup