Não há quase diferença entre ''60 Segundos'' , o recente filme de corridas com Stallone (como é mesmo o título?), e ''Velozes e Furiosos'' (veja a programação de cinema na página 5). Carros muito rápidos, escassa e também rápida, quase furtiva presença feminina, elenco masculino de frequentadores de academias, mal disfarçada misoginia, brigas com pródigas trocas de soco, armas, muitas armas. Muito movimento, muita ação física, barulheira, colisões e destroços, trabalho de sobra para o time de ''stunts''. E pouca, indigente, quase nula construção de personagens com substância ou situações de conflito humano, social ou psicológico. Uma repetitiva tipologia que oferece ao espectador apenas um pálido entretenimento, dirigido basicamente a uma platéia de homens entre 12 e 30 anos com fixação em bólidos a mil sobre quatro rodas. Freud explica, apesar de nunca ter visto um.
Na esquelética narrativa está a figura de Brian (Paul Walker: vai enfrentar sérios problemas para não ser confundido com Keanu Reeves, o que já é uma espécie de maldição). Ele é um tira que se infiltra na gang do anabolizado e praticamente invencível Dominic (Vin Diesel, o bom ator de ''À Procura do Sargento Ryan'', mas aqui somente aditivado, movido a alta octanagem: que tal Vin Turbo? ), que controla o circuito ilegal de corridas de rua em Los Angeles. O tira camuflado se apresenta a bordo de um Eclipse verde, envenenado o suficiente para explodir um quarteirão. A missão é saber se a tal gang de malucos do volante é também responsável pelo roubo noturno de caminhões repletos de mercadorias diversas. Mas o policial fica muito amigo do chefão turbinado, acaba se apaixonando pela irmã dele, Mia (a brasileira Jordana Brewster, em penosa busca de um lugar ao sol) e entra em crise quanto a sua ligação com o Departamento de Polícia, na mais consistente intriga dramática concebida pela roteiro - outro desses, assinado por muitos e com nenhuma personalidade. Depois de 100 minutos de eletrizante vacuidade, os últimos cinco reservam um final ainda mais tenebroso.
A propósito do argumento, a informação é que se baseia em artigo recente de uma revista semanal americana, sobre o nebuloso e milionário universo de corridas ilegais de carros importados em Los Angeles. E não somente em L.A., mas em muitas cidades americanas existe esta prática que reune grande quantidade de jovens - e outros nem tão - no ''cockpit'' de carros com as grifes Supra, RX7, 240 SX, Maxima, Honda e dezenas de outras, mais ou menos votadas de acordo com o desempenho. Já o título original, ''The Fast and the Furious'', foi tirado de um roteiro escrito em 1954 por Roger Corman, dos papas da fórmula do filme B sobre corridas de automóveis. E o diretor Rob Cohen, descredenciado por ''Daylight'' e parcialmente recuperado por ''Coração de Dragão'', demonstra que é mesmo de segunda, concentrando todos seus esforços na ainda maior banalização dos pirotécnicos recursos visuais de geração MTV.

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