São Paulo - O corpo do ator Paulo Gustavo, 42 anos, foi velado nessa quinta-feira (6) em cerimônia restrita a parentes e amigos próximos. O local não foi revelado pela assessoria do humorista. A medida foi tomada para evitar aglomerações em razão da pandemia do novo coronavírus. O seu corpo seria cremado em seguida. Ele deixou o marido, Thales Bretas, e os filhos Gael e Romeu, de um ano e nove meses. Antes da confirmação de morte, a equipe médica havia classificado o quadro como irreversível e a família foi chamada ao hospital. A morte provocou comoção entre os amigos e os fãs do artista.

Na noite desta quarta-feira (5), ele foi homenageado com aplausos e gritos de bravo nas janelas de todo o Brasil. A manifestação foi mais intensa na região metropolitana do Rio, em especial em Niterói, onde o humorista nasceu.

O ator morreu na terça-feira (4) após quase dois meses internado em um hospital da zona sul do Rio, devido a complicações da Covid. Antes da confirmação de morte, a equipe médica já tinha classificado seu quadro como irreversível.

"Após a constatação da embolia gasosa disseminada ocorrida no último domingo, em decorrência de fístula brônquio-venosa, o estado de saúde do paciente vem deteriorando de forma importante", afirmava o último boletim médico.

O ator foi internado no dia 13 de março e respondeu bem ao tratamento. Porém, no dia 2 de abril, seu estado piorou e ele passou a respirar com a ajuda de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), uma espécie de pulmão artificial.

Nos dias seguinte, a equipe médica identificou uma fístula broncopleural, espécie de comunicação anormal entre os brônquios e a pleura, que foi corrigida. Paulo Gustavo também teve que receber uma transfusão de sangue, segundo seu marido.

Dias depois foi realizada uma toracoscopia, na qual uma nova fístula broncopleural foi identificada e corrigida. "Todos os profissionais têm se empenhado incessantemente pela sua recuperação", afirmou boletim médico divulgado no último dia 11.

Paulo Gustavo foi o criador de diferentes personagens de humor. Dona Hermínia é a mais famosa deles e uma campeã de bilheterias nos cinemas com a trilogia "Minha Mãe É uma Peça". "Essa personagem mudou minha vida para sempre. Nunca imaginei que o que eu escrevia fosse ter essa repercussão dessas", chegou a afirmar o ator.

Ela e outros personagens marcantes de Paulo Gustavo, como Maria Enfisema e Senhora dos Absurdos fizeram parte do 220 Volts, programa exibido entre 2011 e 2016 no Multishow, e que ganhou um especial em 2020, com transmissão na Globo.

Ele também interpretou o delegado Lupicínio no "Sítio do Pica-Pau Amarelo", em 2007. Em outubro daquele ano, no extinto Vídeo Show, Paulo Gustavo afirmou que o programa foi seu primeiro contato com a televisão. "Um aprendizado", disse ele.

Paulo Gustavo se preparava para gravar uma série sobre a sua principal criação. Por causa da pandemia, a filmagem foi adiada.

DESPEDIDA

Em um vídeo emocionado para o programa Saia Justa (GNT), a atriz Mônica Martelli contou que Déa Lúcia Amaral, mãe e inspiração do humorista Paulo Gustavo, se despediu do filho com um agradecimento.

"Meu filho, meu filho, obrigada por você ter me escolhido para ser sua mãe", ela disse no momento em que foi declarada a morte de Paulo Gustavo.Segunda Mônica, a mulher que inspirou a personagem Dona Hermínia, grande sucesso do humorista, tem a mesma energia do filho. "Eles são iguais", disse a atriz.

De férias, Mônica gravou o vídeo para falar sobre o amigo e disse que a morte deixou um buraco que fará parte da sua existência daqui para frente."Eu acho que com o tempo essa dor vai virar saudade, mas vou viver essa dor o tempo que ela tem que ser vivida", disse, chorando muito. Mônica destacou a contribuição do humorista para que muitas famílias aceitassem seus filhos gays, por serem fãs dele e de Dona Hermínia. "O Paulo Gustavo mexeu com as famílias brasileiras através da Dona Hermínia, através da posição dele, do casamento dele, dos filhos dele", afirmou.

A atriz definiu a inteligência do amigo como "totalmente fora da curva" e contou que ele tinha ideias sem parar e costumava ligar para compartilhar."Inspirou, transformou, afetou a vida de todo mundo que passou por ele", opinou. "A dor que estou sentindo é do tamanho do amor que sentia por ele, da amizade que a gente tinha, da troca que a gente tinha".

Além de Mônica, a irmã dela, Susana Garcia Capri, também era amiga do ator e dirigia suas produções. Nas redes sociais, Susana contou que falava com Paulo 20 vezes por dia "Somos confidentes. Somos muito unidos. Nos admiramos muito. Você entrou na minha vida de forma arrebatadora. A nossa união aconteceu no trabalho, na família, na vida. Na alegria e na dificuldade", escreveu. Ela contou que durante a pandemia o humorista ajudou financeiramente pessoas que trabalhavam em seus filmes e chegou a mandar um e-mail perguntando quem precisava de auxílio, além de ter enviado recursos para compra de oxigênio em Manaus (AM).

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