Velocidade máxima
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de setembro de 2011
Mariana Trigo <br> <br> TV Press 
A intensidade da atuação de Simone Spoladore se reflete no discurso contundente da atriz. Com olhos atentos e firmes, que contrastam com uma visível suavidade dos tempos que era bailarina clássica, a atriz curitibana admite estar mais voltada para sua trajetória na tevê. Afinal, depois de personagens bissextos, mas de prestígio na telinha - desde sua estreia na minissérie ''Os Maias'', há 10 anos -, Simone começa a se firmar com papéis consecutivos em novelas.
Na pele da determinada taxista Andrea, de ''Vidas em Jogo'', da Record, a atriz se anima com as transformações da personagem que, depois de ganhar na loteria, comprou uma frota de táxi e começa a cumprir sua missão no Bolão da Amizade, pacto de alguns personagens na história de Cristianne Fridman. Com contrato com a emissora até 2014, Simone já havia interpretado sua primeira vilã na tevê, a maquiavélica Verônica em ''Bela, A Feia'', há dois anos, também na Record. ''Com a Andrea, me sinto fazendo novela pela primeira vez por ser um papel próximo da realidade, uma heroína. É muito bom saber que posso ser mais popular'', afirma a atriz de 32 anos.
A Andrea é sua personagem mais realista na tevê desde sua estreia em ''Os Maias'', há 10 anos. Como tem sido?
Primeiro me assustou representar uma taxista, porque eu não dirigia há três anos. Me apavoraram quando disseram que eu iria fazer cenas dirigindo no trânsito. Falei que talvez eu não conseguisse. Mas dirijo distâncias curtas na novela. Tinha parado de dirigir por preguiça. Preciso voltar. Até que eu dirigia bem! Tenho medo de mim dirigindo porque viajo muito, fico pensativa demais, me abstraio. Mas fiz 10 aulas de autoescola para fazer a novela. É muito bom viver uma mulher quase real, que enfrenta as coisas, que é corajosa e urbana. Ela é muito pé-no-chão, bem diferente da Verônica, de ''Bela, A Feia'', que era uma personagem de fábula para mim, uma maluca, surtada, que falava barbaridades.
Está para estrear no cinema com o longa ''Elvis & Madona'', no qual você vive uma motociclista. Existem semelhanças entre sua personagem Elvis e a Andrea ou alguma interseção nessas composições?
Tem. Ambas são urbanas, realistas, mas a Elvis é lésbica e isso a distancia da Andrea. Fiz uma composição nesse sentido, que a Andrea não tem. Muita gente falava que a Andrea é meio machinho. Mas ela não é! É superfeminina. Achavam ela estereotipada no início porque só andava de calça jeans e camiseta, mas nunca criei a personagem dessa maneira. Agora, ela está cada vez mais feminina. Queria também que ela fosse mais sexy, sabe? Pedi isso para o figurinista da novela. Não é porque ela era taxista que tinha de andar desleixada. E a Andrea é uma mulher muito amada, tem uma boa autoestima, porque o Lucas - vivido por Marcos Pitombo - é um homem bonito.
O que você tem escutado dos taxistas?
Pego táxi todo dia porque não dirijo, mas os motoristas dificilmente falam comigo. Outro dia, um cara falou: ''E aí, colega taxista!''. Acho que eles não assistem muito à novela (risos). Faz tempo que não pego mulheres dirigindo. Mas tenho histórias engraçadas. Ano passado fui para Roma com meus pais e tinha uma taxista loura fazendo um fuzuê lá no dia em que chegamos e isso me marcou. Foi forte ver aquilo. Outra vez tinha chegado em São Paulo e queria ir para um hotel e a taxista ficou ligando para vários lugares até conseguir um hotel para mim. Esse tipo de coisa fofa só mulher faz, né?
Você sempre foi uma atriz bissexta na tevê e priorizou muito mais o cinema na sua carreira. Por quê?
No começo, foi uma escolha. Em vez de assinar um contrato com a Globo, decidi fazer um filme (''Desmundo'', de Alain Fresnot) e isso foi determinando as coisas. Mas acho que, com o tempo, teve um momento que realmente não me chamaram na tevê e eu continuei fazendo cinema. Depois, assinei contrato com a Globo e não me chamavam para atuar na emissora durante o período no qual estava contratada. Então, sei lá, a vida vai levando a gente, vamos fazendo escolhas e elas vão levando para outros caminhos. Agora tenho feito muito cinema, mas também quero fazer televisão.
Você é considerada uma atriz ''cult'', talvez por ter estreado na tevê como protagonista pelas mãos do diretor Luiz Fernando Carvalho e por atuar muito no cinema. A sua ida para a Record e a interpretação de personagens mais populares aproxima mais você do público?
Acho que sim. Aproxima e isso é muito bom porque a gente nunca é uma coisa só na vida. Nós vamos nos descobrindo. A vida é essa mistura. É bom saber que posso ser mais popular e também continuar fazendo filmes mais ''cabeça'', e também populares, como ''Elvis & Madona'' - de Marcelo Laffitte. Acho que agora dá para fazer tudo.
Você consegue dizer não para um convite para fazer cinema?
(Pausa) Consigo quando não gosto do roteiro. É difícil. Do final do ano passado para cá, eu disse não para um ou dois roteiros. Mas tenho tido sorte, viu? Estão me chamando para oportunidades muito legais.
Você não acha que vive o processo do cinema de forma industrial, como a televisão, um personagem atrás do outro, emendando longas?
Na verdade, não chego a emendar. Ano passado só fiz dois longas. Nesse ano, vou fazer o segundo. O máximo que fiz por ano foram cinco filmes. Mas aí são participações em cada longa. O ''Elvis & Madona'' rodei em 2007. Entre um e outro tem muito tempo. Dá para viver outras coisas e se transformar para fazer coisas novas.


