Velhos sucessos ainda são bons negócios
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Didier Saltron<br> France Presse 
Cannes - Em um contexto de baixa mundial das vendas de discos (-9,2% em 2002), o catálogo (gravações antigas reeditadas) tornou-se uma importante saída financeira, avaliada em aproximadamente 25% do faturamento dos selos fonográficos, segundo estatísticas divulgadas no 37º Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), que termina hoje em Cannes (Sul da França).
Dois best-sellers fonográficos internacionais de 2002 são de um cantor que morreu há 25 anos, Elvis Presley, e do mais antigo conjunto de rock em atividade, os Rolling Stones.
Editado em agosto passado pela BMG, ''Elvis - 30 Nø1 Hits'', que reúne trinta dos principais sucessos do Rei do Rock, já vendeu até agora 6,6 milhões de cópias em todo o mundo.
A compilação alcançou o primeiro lugar do hit-parade em 20 países e contribuiu para o sucesso simultâneo de uma canção pouco conhecida de Elvis, ''A Little Less Conversation'', que foi gravada pelo grupo techno JXL e serviu de fundo musical para uma campanha de calçado esportivo.
As utilizações secundárias das músicas (cinema, publicidade, documentários) constituem uma parte cada vez mais importante do faturamento das gravadoras. Além disso, esta utilização secundária de uma canção de um artista veterano no geral reativa o interesse do público por sua obra e proporciona lucros extras para a empresa.
Os Rolling Stones, com ''40 Licks'', também conseguiram, em 2002 através do selo Virgin, um igual êxito internacional. Este álbum duplo que reúne sucessos dos 40 anos de carreira do conjunto vendeu três milhões de cópias nos Estados Unidos e outro tanto no resto do mundo, e sem dúvida continuará rendendo lucros em 2003 com a turnê mundial dos Stones.
As antigas gravações de rock, estilo musical que comemorou 50 anos no ano passado, são um verdadeiro maná financeiro para os selos fonográficos em compilações e reedições.
Nos últimos dez anos foram lançadas várias edições consagradas à obra de artistas e conjuntos já clássicos. Bob Dylan foi o primeiro com o álbum ''Biograph''. Seguiram-se os Beatles (com ''Anthology''), Eric Clapton, os Bee Gees, os Beach Boys e praticamente todos os demais principais atores da Idade de Ouro da música pop.
Para atrair o público, as obras originais vão acompanhadas, no geral, de material extra, como gravações que foram descartadas na época, mas que, para os fãs, constituem tesouros que lhes permitem ter acesso a criações inéditas de seus ídolos.


