A reciclagem de antigos formatos de sucesso é corriqueira na televisão. Com estreia marcada para o dia 8 de julho, às 22h30, o humorístico "Vai Que Cola", do Multishow, recorre a um padrão de tevê muito semelhante ao do extinto "Sai de Baixo", com a utilização de plateia e personagens bastante estereotipados dentro da comédia, como o malandro, a periguete, a mãezona e o nerd. "O objetivo é arriscar em um programa diferente do canal. É um formato muito conhecido e que fazia tempo que não era usado em tevê. A plateia funciona como um personagem a mais no programa", explica o diretor João Fonseca, renomado nome do teatro que foi convidado para o humorístico para montar uma produção com Paulo Gustavo, Fernando Caruso, Samantha Schmutz e Cacau Protásio. "É a primeira vez que faço um programa de televisão. Estou descobrindo o mundo da tevê agora. Estou aqui pela minha experiência com ao vivo", completa.
A série é uma nova aposta do canal em um humor mais popular e semelhante ao do seriado global "A Grande Família". A história mostra o dia a dia de uma pensão no subúrbio do Rio e brinca com o famoso jeitinho carioca. O objetivo é que o humor da produção possa atingir um público mais amplo do que o canal está habituado.
O diretor de arte do programa, Hélcio Pugliese, fez uma pesquisa de campo pela Zona Norte da cidade para criar toda a cenografia dos cinco ambientes – fachada, banheiro, dois quartos e salão principal. O palco giratório com mais de 200 m² foi montado no HSBC Arena Multiuso, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. "A inspiração saiu das casas que ainda conservam as características de meados do Século XX. A cenografia não é de época, mas resgata a memória da Zona Norte, que até hoje se encontra por lá", afirma.
Boa parte das mobílias foi comprada em antiquários da Rua do Lavradio, no Centro do Rio, e de Copacabana. "Um dos nossos achados foi um cuco. Hoje em dia, é difícil encontrar um relógio como esse na parede de alguém", conta, com surpresa, Pugliese.
O elenco é encabeçado por Paulo Gustavo, humorista do momento do canal a cabo, que interpreta o malandro Valdomiro. A história, que ao todo terá 40 episódios de segunda a sexta, se passa em uma pensão no bairro do Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. É lá que Valdomiro vai morar tentando fugir da Polícia Federal, após se meter em uma falcatrua. Dona Jô, vivida por Catarina Abdala, proprietária da pensão, o recebe como hóspede. Enquanto tenta reescrever sua história por linhas tortas, tem de lidar com as provocações do zelador insolente Ferdinando, de Marcus Majella, com o assédio da fogosa Terezinha, papel de Cacau Protásio, com as esquisitices do misterioso Wilson, interpretado por Fernando Caruso, e com as confusões do casal Jéssica, vivida por Samantha Schmutz, e Máicol, papel de Emiliano D´Avila. "É um elenco muito bom e muito generoso. Poder contracenar com outras pessoas é maravilhoso. Faço monólogos há muito tempo. Tudo é uma novidade para mim aqui", valoriza Paulo Gustavo, que, apesar de não colaborar no roteiro, negociou com o canal para ter liberdade para alterar o que fosse necessário. "Todos viram meus outros projetos. De certa forma, o personagem já veio adequado para mim. Contribuo sempre no que posso para deixar mais do meu jeito", ressalta.
O esquema de mesclar teatro e televisão é o estimulante principal para todo o elenco. Em sua boa parte de origem teatral, atuar e interagir para a plateia e para as câmaras ao mesmo tempo se mostra como o maior diferencial do programa. A interação com o público, que lota os 300 lugares disponíveis, é um dos pontos fundamentais para o dinamismo do roteiro e da história. "É muito cansativo. Quando você só faz televisão, você desmembra as suas cenas. Aqui, não. É necessário estar em todas as cenas porque a qualquer hora você entra. É como uma peça de teatro", aponta Fernando Caruso.

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