VELHAS PORTUGUESAS, COM CERTEZA
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quarta-feira, 31 de maio de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Coisa de maluco? Certamente há quem aposte ser. Ainda mais ao encontrar pelo meio da rua um grupo de senhoras vestidas de preto, usando máscaras com óculos e agindo de maneira um tanto estranha. É com esse quadro que as pessoas vão se deparar hoje ao atravessar o Calçadão do centro de Londrina. Ao meio-dia acontece a primeira apresentação do Joana Grupo de Teatro, de Portugal, no Filo.
Dois atores e três atrizes interpretam cinco velhinhas que representam um tipo característico das lusitanas. As personagens são um clone da figura da velha portuguesa vestida de preto. Apesar de todas serem iguais na aparência, cada uma delas age de forma diferenciada. Embora sejam parecidas, elas têm um universo psicológico diferente, antecipa a atriz Suzete Bragança.
As Velhas será reapresentado no Calçadão, no Zerão e na feira livre da Avenida Saul Elkind (Zona Norte), aproveitando as diferentes realidades de cada local. A atriz e diretora do espetáculo, Ana Mourato, conta que cada espetáculo é adaptado ao lugar onde será apresentado. Primeiro, o grupo estuda o local, faz o percurso programado e adapta a montagem às circunstâncias. Nunca é igual. Às vezes um lugar é cheio de pessoas, como o centro da cidade, outros têm rochas, outros árvores, completa.
Este espetáculo de rua se divide em dois momentos: o percurso em meio ao público e as ações fixas. Neste segundo momento surgem cinco instalações no meio do público que simbolizam as casas das personagens. No meio do nada, vão aparecer cenários como uma cama com mesinha de cabeceira e um varal de roupas. A duração média das apresentações é de uma hora.
Nesta brincadeira, as cinco senhoras andam pelas ruas, entram em lojas, fazem compras, bebem água e aproveitam todas as possibilidades do local. No Zerão, por exemplo, as velhinhas já sabem que vão fazer ginástica, dar uma chegadinha no bar e quem sabe até bater uma bolinha. Este espetáculo tem a sua parte real, mas não um tratamento realista, diz Suzete Bragança.
Uma característica de As Velhas é que as cinco personagens estabelecem esse jogo com tudo o que está em volta no momento, fazendo interferências com o público. O teatro de rua desmonta o dia-a-dia das pessoas e propõe um jogo para quebrar a monotonia, salienta Suzete.
O Joana Grupo de Teatro foi criado há 22 anos e, desde o princípio, envolveu em suas atividades o teatro de rua. Somos um grupo itinerante, apesar de estarmos fixados em Lisboa. Em nossas apresentações, buscávamos fazer contato com a população através de desfiles de rua para divulgar os espetáculos no teatro, conta Ana Mourato. Hoje, o trabalho do grupo se concentra basicamente na linguagem do teatro de rua.
O grupo também passou a desenvolver projetos dramatúrgicos e pedagógicos junto a escolas. Antes das apresentações, o Joana realiza um workshop com alunos selecionados pelas próprias escolas e que durante o espetáculo estarão no palco com os atores. Em breve, o grupo deve começar um novo trabalho com um centro de terceira idade em Portugal.
Em sua carreira, o Joana produziu 29 espetáculos e uma característica do trabalho é que todos são criados pelo grupo. Nunca utilizamos textos de outros autores. O que marca nosso trabalho é que sempre partimos do zero, diz Suzete Bragança.
As Velhas, espetáculo de rua com o Joana Grupo de Teatro, de Portugal. Roteiro: Ana Mourato e Suzete Bragança. Encenação: Ana Mourato. Assistente de encenação: Suzete Bragança. Elenco: Ana Mourato, Suzete Bragança, Antonio Jorge, Cristina Costa e Ricardo Moura. Cenografia: Rita Cardoso Pires. Figurinos: João Ricardo. Designer gráfico: Mercedes Anjos.


