VELHAS CHEIAS DE TRUQUES
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Cinco velhas pra lá de esquisitas, todas com um cacoete próprio, trajando roupas pretas, carregando guarda-chuvas, malas e usando engraçadas máscaras invadiram o Calçadão de Londrina, ontem, para um passeio pelo centro da cidade. Para quem não sabia, elas não eram senhoras fazendo maluquices na rua. Na verdade, eram personagens interpretadas por atrizes e atores do Joana Grupo de Teatro, de Portugal, dentro da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo).
Para as típicas senhoras portuguesas, tudo era motivo para uma paradinha. A fila do banco, a farmácia, o banco da praça. Tão fazendo graça, tão? Ah, é do Filó!!!, disse um espectador, quando uma das velhinhas passava mal no meio da rua. Nada melhor que a farmácia para resolver o problema mais do que rápido elas invadem uma, conversam com o farmacêutico e saem sem levar o remédio era muito caro. Não temos dinheiro para vitaminas.
Passado o mal-estar, as cinco estão prontas para seguir o passeio. Mas logo param quando avistam uma casa de empréstimos pessoais. Vamos pedir algum emprestado?, sugeriu uma. Vocês emprestam dinheiro para fazermos uma viagem para o Pantanal? Diante da resposta positiva, elas prometem voltar mais tarde.
Continua a andança. Atravessar a rua, como sempre, é aquela bagunça de parar o trânsito. A esta altura, o público está bem maior do que o início do percurso. As velhinhas também encontram velhas amigas pela rua, se cumprimentam e fazem a festa. Maravilhosas!, grita uma senhora que passa a acompanhar o grupo.
O tempo todo as cinco pedem ajuda aos espectadores para sentar, levantar, subir ou descer. Na loja de móveis e eletrodomésticos, escolhida para a compra de uma nova máquina de costura, elas aproveitaram para experimentar o sofá, a cama... Hum, esta cama é muito jeitosa, diz a velhinha que deita em todas as posições. Vai cair dessa cama!, alerta uma espectadora. Foi só falar e lá estava a velhinha estirada no chão.
De volta à rua, mais curiosos se aglomeram. O que é isso, gente? É teatro? O Filo?, pergunta a moça que acaba de chegar. Um salto de sapato quebrado é motivo para que as cinco velhas entrem numa loja para comprar um calçado novo. Uma cliente que não sabe o que está acontecendo, corre segurar a bolsa, com cara de assustada. Sem comprar os sapatos, as velhas percebem que estão atrasadas e desembestam Calçadão abaixo: Vamos perder o almoço!
Na próxima e última parada em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde, diferentes cenários representam as casas de cada uma das velhinhas. Uma delas pede ajuda de uma pessoa do público para arrumar a colcha da cama e aproveita a chance para pedir cumplicidade ao mostrar fotos e falar de sua vida. Mais à frente, uma estende a roupa e a outra faz seu tricô. O que são elas?, pergunta uma moça. Viúvas. Elas estão de preto!, responde a outra.
As crianças, claro, não deixaram de ser divertir com as trapalhadas das velhas. Onde cê vai, maluca!, grita o garoto. Olha o tamanho da calcinha e o da camiseta! A camiseta é menor que a calcinha, diz o menino que observa o varal.
Depois de bordar uma toalha para o Natal, o grupo de velhinhas vai para a grama, finalmente para almoçar. Mesmo com fome, o público espera o final da refeição e da performance. Hoje tem mais maluquices das Velhas, também ao meio-dia, no Calçadão.


