Velhas canções em roupa nova
DISCO/LANÇAMENTO Velhas canções em roupa nova Cantora goianiense estréia em disco interpretando canções do compositor Aldir Blanc ReproduçãoAdriana Capparelli: disco de estréia inclui a canção Miss Suéter, célebre na voz de Ângela Maria Nelson Sato De Londrina Gravar discos inteiros pinçando o repertório de um único compositor, é atitude corriqueira no Brasil. As cantoras são pródigas em prestar tais homenagens. É o que faz a goianiense Adriana Capparelli em seu álbum de estréia, Pequeno Circo Íntimo, no qual desfila 14 canções do carioca Aldir Blanc. O disco inaugura uma série de lançamentos da gravadora Dabliú dedicada a jovens artistas e guiada pelo slogan a qualidade do novo na MPB. Mas o novo, no caso, soa exagerado para acolher o material da debutante. Apesar da afinada voz de meio-soprano, Adriana pouco se destaca da infinidade de rivais que habitam o mercado fonográfico brasileiro. A moça aparece acanhada carimbando clássicos como Miss Suéter (célebre na voz de Ângela Maria) e parcerias de Blanc com João Bosco (Bodas de Prata, Latin Lover, Vida Noturna etc), Ivan Lins (a faixa-título), Guinga (Catavento e Girassol e Valsa pra Leila), Roberto Menescal (Eu e a Música) e outros. Alguns escorregões do pianista, produtor e arranjador Michel Freidenson também contribuem para minimizar o entusiasmo da gravadora, particularmente em faixas como O Cavaleiro e os Moinhos, Patrulhando (Masmorra) e a já citada Miss Suéter, nas quais teclados e guitarras de gosto duvidoso empastelam a interpretação. Adriana veio do teatro. Participou do espetáculo Bacantes, montado por José Celso Martinez Corrêa em 1995. Fez parte ainda da peça Hair, cujo elenco trazia também Andréa Marquee, outra cantora-atriz que acaba de estrear em disco com o CD Zumbi, lançado pelo selo independente YBrazil?Music. Mas se Andréa tateia atrás de uma certa contemporaneidade pop, Adriana opta pelo bom-mocismo da MPB. Feita as contas, fica o registro de sua coragem (ainda que através de uma performance sem brilho) para visitar um repertório nada ameno, de letras quilométricas, em que outras candidatas poderiam tropeçar feio e constranger o homenageado.





