Velha roupa reformada
Antônio Mariano Júnior
O grupo sempre esteve na mídia. A cada trabalho lançado, o Roupa Nova emplaca pelo menos uma música nas rádios da vida. Se bem que uma ou outra canção sempre vem mastigadinha ao público por estar inserida na trilha sonora de alguma novela da Globo, principalmente as baladonas românticas. Aliás, o grupo é recordista em participação em discos de novelas - ao todo foram 20 canções pinçadas para aberturas ou temas de folhetins.
Em 19 anos de carreira, o Roupa Nova vendeu, segundo suas informações, três milhões de discos, o que atesta a popularidade do grupo. Tá certo que o penúltimo disco, lançado em 97, passou batido porque a gravadora não investiu nada - ou quase - em divulgação. Então para voltar à cena em grande estilo haveria necessidade de o grupo lançar seu 15º disco repleto de regravações? Não, não haveria.
Mesmo assim, sob o pretexto de repaginar ou dar uma linguagem mais atual a seus hits o Roupa Nova está lançando Agora Sim! (Universal). Das 14 faixas, apenas três inéditas e uma versão incluída na trilha sonora da novela Suave Veneno. Qualquer uma delas tem condições, pelo apelo popular de letras, melodias e arranjos, de melar dials e alavancar vendas, principalmente Na Dor e no Prazer (de Paulo Ricardo e Michael Sullivan, que aliás comparecem no disco também com Quando Bate uma Saudade).
Porém, o grupo aposta no sucesso da faixa-título, uma baladona recheada de clichês, tão logo Bem Maior (versão de Aldir Blanc para Longer, de Dan Fogelberg), que já está tocando por aí, começar a perder o fôlego. Apostas à parte, Agora Sim!, o disco, é sobretudo um disco de regravações. É um disco eclético, tem de tudo - músicas dançantes, românticas, etc. Nossa intenção era ver como nossos sucessos soariam com uma roupagem mais moderna- diz Paulinho, percussionista e vocalista.
É, realmente há algo prafrentex nos arranjos - a adição de levadas eletrônicas, por exemplo. Acontece que o Roupa Nova não ousou tanto como, por via de regra, se deveria fazer quando se visita antigos sucessos. A dita roupagem nova, na verdade, não passa de sutis detalhes, digamos, fashion. Há ainda muitos resquícios de prêt-à-porter mas com bom caimento popular.
Em Agora Sim!, os vocais, que sempre foram uma das boas características do grupo, foram deixados um pouco de lado. O repertório traz algumas pepitas mas traz também canções saturadas e que nada acrescentam no frigir dos ovos, a não ser como um bom chamariz, tais como Whisky a Go Go (84) e Dona (85). Anjo, agora em versão bate-estaca, ficou o ó do borogodó. Perdeu a delicadeza original.
Da velha safra, salvam-se e mesmo assim com restrições Bem Simples (81) e Clarear (82), justamente canções dos primeiros discos do Roupa Nova. No todo, Agora Sim! vai soar ma-ra-vi-lho-sa-men-te aos ouvidos populares. Agora, sejamos sinceros: é um disco apelativo, comercial mesmo. Feito para vender e conquistar um público jovem ainda em formação. Aos admiradores mais antigos um conselho: melhor ficar com alguma das gravações originais. São mais sinceras.





