Velha novidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 2014
Caroline Borges<br> TV Press 
O caráter inovador de "O Rebu" atravessou o tempo. Mesmo 40 anos após a exibição da história de Bráulio Pedroso, a Globo volta a apostar, a partir de amanhã, na trama policial marcada por um misterioso assassinato e que tem toda a sua narrativa desenvolvida ao longo de um único dia. Considerado ousado para os padrões da década de 1970, o folhetim virou uma referência de qualidade das telenovelas e manteve suas características contemporâneas ao longo dos anos. ''São personagens ricos e representam o retrato multifacetado do Brasil. É, sem dúvida, uma história ousada e com arrojo inventivo da narrativa", ressalta George Moura, que assina a nova versão do folhetim ao lado de Sérgio Goldenberg.
A trama começa quando a empreiteira Angela Mahler, papel de Patrícia Pillar, promove uma festa, em sua mansão, que reúne negócios e interesses familiares. Com a descoberta de um corpo boiando na piscina durante o evento, todos os convidados passam a ser suspeitos da morte e são interrogados na investigação policial comandada pelo delegado Nuno Pedroso, papel de Marcos Palmeira. Para trazer a produção para os dias atuais, a dupla de autores optou por trocar o gênero dos protagonistas Conrad Mahler e Cauê, interpretado por Ziembinski e Buza Ferraz, respectivamente, na história original. Agora, os papéis ficam a cargo de Patrícia e Sophie Charlote, que vive a jovem Duda, filha de criação de Angela. "Foi uma mudança tranquila e natural. Hoje, as mulheres ocupam um espaço de poder cada vez maior. É algo que deve ser mostrado. É completamente plausível para a atualidade", explica Patrícia.
Para retratar o universo de "glamour" e sofisticação do folhetim, o diretor de núcleo José Luiz Villamarim passou cerca de um mês gravando no palácio de Sans Souci, em Buenos Aires, na Argentina. Apesar de a história se ambientar no Rio de Janeiro, o diretor encontrou na locação a elegância e a opulência que buscava. "Buenos Aires é meio Paris. Tem uma arquitetura quente e uma estética antiga. O palácio tinha as características clássicas e renascentistas que queríamos'', explica. Para dar sequência às gravações no Brasil, a equipe de cenografia reconstruiu o salão principal da mansão com 620 m² no Projac, complexo de estúdios da Globo, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. ''A cenografia se preocupou muito com a continuidade, já que temos cenas começando na externa, entrando no estúdio e depois saindo para a externa de novo. Esse projeto exige uma cenografia muito bem acabada'', explica o cenógrafo Fábio Rangel. Outros ambientes também foram recriados em estúdios, como os quartos de Angela e Duda, a cozinha, o escritório de Angela e o salão de jogos, onde o delegado Pedroso e sua equipe se instalam durante a investigação.
Com 36 capítulos, a história se passa em apenas 24 horas e é narrada simultaneamente em três tempos: durante a festa, no dia seguinte e através de "flashbacks" que revelam os principais personagens e os possíveis motivos para estarem envolvidos na morte da piscina. Por isso mesmo, a continuidade foi um dos pontos de maior atenção da equipe de produção de arte, figurino e cenografia. Cada personagem tem, no mínimo, duas peças de roupas iguais, por exemplo. "É complicado narrar uma história que acontece em três tempos. Não vou usar nenhum artifício na imagem para diferenciar esses três tempos, uma muleta que poderia se tornar repetitiva em uma narrativa mais longa como é a de uma novela", ressalta Villamarim.


