Velha guarda chega ao CD
Agência Estado
Para que o samba não morra, a nova geração tem de acompanhar o nosso raciocínio. A afirmação é de Ary, compositor e integrante da Velha Guarda da Mangueira. O raciocínio proposto por ele é na verdade um ensinamento, o de que é na tradição que se mantém a autenticidade do samba. Sem a ansiedade de obter sucesso imediato e com talento de sobra, a Velha Guarda expõe sua sabedoria no primeiro CD, Velha Guarda da Mangueira e Convidados, que chega às lojas nesta semana. Esse trabalho marca ainda a estréia do selo Nikita Music, que vai divulgar também a música cubana e de Cabo Verde.
O grupo foi formado em 1988. Participavam dele Tia Irene, a passista mais antiga do morro, e 23 artistas, entre eles compositores, músicos e puxadores. Mas foi com a entrada de Josimar Monteiro, convidado para substituir o violonista Aluízio Dias (parceiro de Cartola), que o grupo se firmou. Até porque a presença da boa música já era natural no ambiente. É um reduto de bambas, como costumava dizer Saturnino Gonçalves, o primeiro presidente da escola e pai de Dona Neuma (que também participou da gravação). Segundo Ary, o encontro da turma ocorre na quadra, aos sábados, no pagode. Em 1991, fizeram sua estréia já com grande parte da formação atual apadrinhados por Beth Carvalho (uma das convidadas).
Para ser da Velha Guarda, o sujeito tem de ter no mínimo 60 anos de idade e 30 de Mangueira, conta. E amar a Mangueira e o samba. Esse sentimento é expressado nas letras, harmonias e melodias compostas e reeditadas por esse time, formado por pessoas simples e geniais. São eles: Mocinho, Zezinho, Jurandir, Zenith, Quincas, Ary, Genuíno, Erivá, Miguel, Tantinho, Tia Zélia, Soninha e Xangô (o mais velho, com 76 anos). E a participação especial de Valdir Silva. Quando ouvir essa batida/ foi Mangueira que chegou, dizem os versos da canção Mangueira Chegou, de José Ramos. A música abre o disco e põe em evidência a batida única da escola.
Interpretado por Genuíno, esse samba foi feito no início dos anos 40 e gravado por Clementina de Jesus. Ele é uma das homenagens que o grupo faz à tradição. Assim como as músicas Chega de Demanda, de Cartola (feita para o primeiro campeonato das escolas, na Praça 11), e Vale do Rio São Francisco, de Alfredo Português e Nelson Sargento (samba-enredo campeão em 1948).
O repertório tem ainda obras de Dona Ivone Lara, Noca da Portela, Guilherme de Brito e Mário Lago todos convidados além dos compositores Ary, Jurandir e Tantinho, da Velha-Guarda. Todos que vêm são bem tratados, diz. Isso justifica a quantidade de amigos dessa turma que participou do disco. A nova geração é representada por Fernanda Abreu, Lenine e Marcos Suzano. O disco é uma grande estréia.Sambistas veteranos da Mangueira estréiam em disco contando com participação de Fernanda Abreu, Lenine e Marcos Suzano
Arquivo FolhaFernanda Abreu se entregou ao batuque participando do primeiro disco da Velha Guarda da MangueiraArquivo FolhaLenine é um dos convidados do grupo de bambas





