Velha Cômoda no Novelas Curitibanas
Zeca Corrêa Leite
O que uma velha cômoda pode causar na vida de uma pessoa? A peça que entra em cartaz hoje (dia 15) no Teatro Novelas Curitibanas, ‘‘A Velha Cômoda’’ mostra os desacertos de um pobre sujeito quando se vê às voltas com um enorme móvel em casa, ocupando espaço e atrapalhando os moradores. A peça esteve no fringe, no Festival de Teatro de Curitiba, e o público foi além da lotação da casa.
Pertencente ao folclore alemão, o texto foi traduzido por Frei Fidelis e apresentado na cidade há 40 anos, com o casal Aluísio e Luciana Cherubim. Numa dessas brincadeiras do destino, uma cópia chegou às mãos do diretor Eugenio Gielow, mas faltava o final. Ele simplesmente criou as últimas cenas, como julgava que a peça deveria terminar.
Por acaso descobriu-se que os Cherubim, atualmente morando no litoral, tinham o texto completo, mas Gielow não gostou da obviedade do original e preferiu suas próprias linhas. É o que o público verá na temporada que se estenderá de quinta a domingo, às 21 horas, até o final de maio.
O diretor avisa que o tempero do espetáculo é a surpresa que ele guarda para a platéia. ‘‘Todos se divertem’’, garante, mas a ingenuidade do enredo mascara reflexões para quem quiser ir além da mera diversão. A cômoda que tanto incomoda, pode ser a insatisfação de uma vida acomodada.
Pensamentos mais profundos, porém, só mesmo depois de terminado o espetáculo, porque enquanto estiver rolando, não dá tempo para ficar nas leituras paralelas. ‘‘A Velha Cômoda’’, avisa Gielow, ‘‘é aparentemente ingênua’’. Cada qual diverte-se com o que quiser se divertir, porque o painel é amplo.
A peça narra as aventuras de Souza, que vive a maldizer o dote que recebeu ao casar-se com Dona Olga: uma cômoda barroca. Ele decide vendê-la a um colecionador de antiguidades, no dia em que a filha, Elza, completa 18 anos. Mal sabe que a garota se apaixonou e está noiva de um rapaz que conheceu nos tempos em que estudou fora da cidade.
As trapalhadas da família são contadas pela empregada Filomena, que dá as cores que deseja aos episódios, conforme o humor e a afetividade. ‘‘É como se todos os personagens fossem guiados como títeres, e estivessem à mercê da consciência e inconsciência de Filomena’’, comenta Gielow.
Com ‘‘A Velha Cômoda’’ tem-se o lado mais visível da ocupação do Grupo Casquinada Cênica no Teatro Novelas Curitibanas. A trupe participou do edital da Fundação Cultural de Curitiba, que oferecia os espaços cênicos para a classe artística, e foi uma das escolhidas. De 1º de abril a 31 de julho, o teatro é dos jovens atores.
Para otimizar o prazo, o Casquinada Cênica dará três cursos de interpretação (‘‘Construindo um Espetáculo’’), cada qual com 25 horas de duração. Os alunos não só conhecerão todas as etapas para a produção de uma peça, como estarão montando uma peça.
Enquanto isso o grupo prepara-se para levar à cena outras montagens. Dia 23 de abril estréia ‘‘A Mandrágora’’, de Maquiavel, com sessões às sextas e sábados à meia-noite. No dia 20 de maio ‘‘A Velha Cômoda’’ deixa o horário nobre para ocupar o das 19 horas. Em seu lugar entrará ‘‘A Menina que Pisou no Pão’’, que permanecerá ali durante um mês. Depois será a vez de ‘‘A Noiva Secreta’’.
Com esse esquema de espetáculos variados conforme o horário, os atores vão trabalhar o triplo nos finais de semana. Terão papéis diferentes a partir das 19 horas até a meia-noite. Mas se houver platéia para todos os cartazes, Eugênio Gielow garante: ‘‘A gente dá um jeito de encaixar entre uma sessão e outra’’.
‘‘A Velha Cômoda’’, direção de Eugenio Gielow, com Nadja Naira, Luiz Henrique Fernandes, Mariana Zanette, ana Brito, Rodrigo Virmond e Alex Barbosa. De quinta a domingo, às 21 horas, no Teatro Novelas curitibanas (Rua Carlos Cavalcante, 1222, telefone 233-8552). Ingressos na quinta-feira: R$ 8,00; R$ 6,00 (bônus), R$ 4,00 (estudantes e classe artística); sexta a domingo: R$ 10,00; R$ 7,00 (bônus), R$ 5,00 (estudantes e classe artística).

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